Servir a Deus entre os leprosos

Uma vida dedicada ao serviço dos doentes do Bangladesh. Essa é a história da irmã Roberta Pignone, médica italiana e Missionária da Imaculada.

A
experiência no projeto “Jovem e Missão”, um caminho espiritual para os jovens, proposto pelo PIME na Itália, foi o impulso para a irmã Roberta Pignone decidir por sua vocação. “Fui ao Bangladesh, onde conheci as Missionárias da Imaculada, e entendi que a forma delas darem a vida pelo Senhor tinha a ver com meu desejo de ser missionária e médica. Antes de entrar no convento, queria me tornar uma médica de família e trabalhar em um ambulatório nos vilarejos. Depois que me tornei freira, a minha destinação foi o Bangladesh. Eu não havia escolhido este país. Mas o acolhi como um dom do Espírito Santo. Depois de um ano e meio em missão, assumi a responsabilidade de dirigir um hospital. Parecia algo maior do que eu. Ao olhar para tudo aquilo que aconteceu naqueles anos, penso que há uma bênção especial sobre este hospital, que nos permite ir adiante, mesmo com grandes dificuldades.”

Desde 2011, irmã Roberta vive em Khulna, a terceira cidade mais populosa do país. A área metropolitana tem aproximadamente 1,5 milhão de habitantes. A maioria atua na agricultura e na indústria têxtil. Muitos sobrevivem como trabalhadores ocasionais e moram em favelas super populosas. Irmã Roberta explica que, desta maneira, aumenta o risco de contágio da hanseníase, antigamente conhecida como lepra – doença infecciosa que causa lesões de pele e danos aos nervos.
Ela relata também que os tratamentos são abertos a todos, sem distinção: cristãos, muçulmanos e hindus. “Não perguntamos a que religião pertencem. Quando a hanseníase ocasiona a perda de sensibilidade nos pés, fornecemos sapatos com solas macias que evitam a formação de úlceras plantar.”

O hospital alerta a população sobre a importância dos tratamentos. Por isso, a irmã procura envolver os diretores de escolas, os estudantes e os médicos locais. “Nossa experiência nos ensina, porém, que a descoberta de novos casos se dá através dos ex-doentes, que já provaram na própria pele os efeitos da doença e aconselham outros a se submeterem às terapias. Eles têm uma grande responsabilidade: foram curados e estimulados a nos ajudar a curar os outros”, relata a missionária. Roberta conclui:

É o Senhor que me quer aqui e me dá forças para levar adiante esta tarefa, que é muito maior do que eu e minhas capacidades. No Bangladesh, estou na fronteira com a floresta do Bengala, onde cuido dos esquecidos. Por serem doentes de lepra, ninguém cuida deles. Esta consciência me dá força a cada dia. Diante da surpresa da população bengalesa, que não compreende como uma mulher solteira abandonou a própria terra e se mudou para outro país para cuidar de leprosos, é gratificante saber que alguns doentes consideram este hospital como uma segunda casa. Levamos a esperança, um estilo de vida diferente e ajudamos os mais necessitados.

Publicado no Jornal Missão Jovem de abril 2018
(*Texto publicado originalmente na ÁsiaNews, agência de notícias do PIME)

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