A fidelidade

Ser fiel a uma palavra, quando esta simboliza o amor, coloca o ser humano em uma dinâmica de compromisso que reflete no outro. E nesta dinâmica faz com que se viva em total plenitude. 

“Até as nuvens a sua fidelidade, a tua glória sobre a terra inteira” (Sl 56,11-12)

 Fidelidade

A
s duas pessoas, envolvidas na dinâmica do amor, percebem como a fidelidade recíproca não tem limites; é tão intensa que produz em seu ser, e no seu viver uma totalidade abrangente.

A fidelidade é, por assim dizer, a materialização da confiança no tempo,  o anel de junção que dá forma humana aos gestos da pessoa. E estes gestos se transformam em atos criativos de disponibilidade, respeito, vontade de encontro.

Uma coisa é a fidelidade a um produto de beleza e outra é a fidelidade a relações familiares, de amizades e eclesiais. Elas estão situadas em diferentes níveis, dos quais brotam  “produtos” bem diferentes. De fato, é com a palavra que a gente se compromete a viver com fidelidade relativa ao conteúdo proposto. No entanto, é provável que uma fidelidade puramente relacionada e confinada à palavra dita seja, às vezes, gesto vazio e irresponsável:  ela vai cair imediatamente quando a conveniência cessar.

Fidelidade consigo mesmo

A fidelidade projeta a pessoa num compromisso que a envolve e a provoca, movimentando todo o seu ser, submetendo-o a um processo de oxigenação em que a inteligência, a vontade, a sensibilidade, a cultura e a fé são levados em consideração.

O homem fiel é aquele que tem e recebe a confiança na palavra do outro, num compromisso que transcende a verbalização e temporaneidade, para se abrir aos horizontes cada vez mais significativos e enriquecedores.

No cotidiano da vida cristã

A mesma dinâmica se repete com Deus, porque “aos céus se eleva a sua misericórdia, e até as nuvens a sua fidelidade. Elevai-vos, ó Deus, nas alturas dos céus, e brilhe a vossa glória sobre a terra inteira” (Sl 56,11-12). Em sua origem, a fidelidade é pura porque o seu amor é total e eterno. Nossa fidelidade passa através do prisma da livre opção, carregada da nossa fraqueza, e se deixa levar, julgar e converter por Sua palavra.

A vida cristã no cotidiano esmigalha na sequência de tempo o escandir de uma fidelidade pela qual, cada gesto, pequeno ou grande, se encontra no conjunto para formar o maior acordo a uma vontade expressa, a pronunciar o amém final sobre a História do cosmo e do homem .

Perguntas

  • O que significa ser fiel a um amigo?
  • Existe uma ligação entre “fidelidade e verdade”. Mas um deve sempre “obedecer” ao outro? E quando há um conflito?
  • Em que consiste a fidelidade de Deus em relação a nós? Ele é fiel quando nos afastamos Dele?

Publicado no Jornal Missão Jovem de Outubro de 2017
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