A Igreja e a Inteligência Artificial

EDITORIAL

Mundo e Missão – Edição 241 – abril – 2020

A crescente dependência que as dimensões sociais e econômicas têm da IA confere um enorme poder àqueles que programam os algoritmos


Uma nova visão de mundo nasce com a expansão da robótica e da Inteligência Artificial (IA). Uma oportunidade também para a Igreja, uma vez que a tecnologia envolve questões éticas e de justiça social. Com efeito, a neurociência impulsiona o desenvolvimento da aprendizagem automática, que tende a se transformar em instrumento de preservação da vida, tendo, entretanto, como efeito colateral, o embrião de um big brother capaz de manipular os mais vulneráveis.

A Igreja, entre seus altos e baixos no equilíbrio frente aos desafios, é hoje chamada a se posicionar perante esse passo tecnológico na vida das pessoas.  Suas forças mais brilhantes devem mergulhar nas mentes e nos corações dos especialistas que criam os sistemas de IA. Porque os algoritmos que alimentam cada sistema devem conter também sementes do Evangelho. A meu ver, essa é a mais urgente fronteira da Igreja: alimentar de valores cristãos aqueles que influenciam o mundo secularizado. E ser, quando possível, protagonista nos dilemas fundamentais para o futuro, não o seu, mas da humanidade. Uma humanidade que precisa de “mais vida, e vida em abundância” (Jo 10, 10).

Um recente relatório do Instituto Global McKinsey prevê que, já no final desta década, entre 75 e 375 milhões de trabalhadores terão que buscar novas ocupações. Portanto, um enigma para futura ocupação dos jovens, hoje excluídos daquele desenvolvimento integral e solidário salientado na Populorum Progressio, de Paulo VI. A encíclica que cresce sempre que surgem novos desafios: desta vez, o de uma robótica excludente.

Resta a Mundo e Missão tomar para si as palavras do sociólogo polonês Zigmund Bauman (1925-2017): “Precisamos nos abraçar por um longo período de tempo em que enfrentaremos mais perguntas do que respostas, mais problemas do que soluções. O veredicto final é de que não existe ‘outra alternativa’ e seremos obrigados a enfrentar essa situação, unidos e de mãos dadas, ou então, ganharemos sepulturas comuns”.

A IA vem, pois, como uma dessas situações também para a Igreja. Esta precisa preparar-se para “evangelizar” os responsáveis pela robótica. Não há outra alternativa. Com a ressurreição de Senhor, um novo tempo se abria para a humanidade. Com o avanço da IA um novo espaço se abre à evangelização. Não se pode perder os sinais dos tempos.

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