A oferta da pobre índia

 

O que temos de mais sincero e verdadeiro para oferecer? O pouco para alguns pode ser muito para aqueles que precisam de ajuda

 

V
amos deixar um pouquinho as nossas preocupações, os nossos pensamentos e vamos abrir espaços na nossa mente e no nosso coração. Todos nós gostaríamos de fazer algo para nos tornarmos mais felizes; conseguir paz e alegria mais duradouras, inclusive nos momentos de amargura e de tribulação.

O fato que vou contar nesta reflexão aconteceu comigo numa comunidade indígena do Rio Maraú, município de Maués. Estava em visita ao povoado chamado Nazaré, no centro da mata, onde tem o rio Maraú: lindo, bonito, de água preta, com palmeiras às margens e em meio a uma floresta maravilhosa. Durante a novena da noite, na capela, falei sobre os povos da região do Sahel, na África, que na ocasião sofriam uma grande seca, com crianças à beira da morte por conta da fome e adultos sem nenhuma esperança. Era o mês de outubro, mês missionário, e a Igreja havia promovido uma campanha de solidariedade para aqueles povos da África.

Os índios ficaram muito tristes ao pensar que havia pessoas que nem água podiam encontrar e, ainda mais, nem podiam  procurar comida porque não tinham roça, nem mato para caçar e nem peixe no rio. Falei que todos nós devíamos rezar e fazer algo para que Deus aliviasse o sofrimento das tribos da África.

Na manhã do dia seguinte, durante a Missa, no momento do ofertório, uma mulher levantou-se, foi ao fundo da capela,  apanhou um pouco de farinha de mandioca empalhada, foi à frente do altar e, com simplicidade e um olhar feliz, falou assim: “Padre, isso é para as pessoas da África que não têm comida”. Era uma pobre índia que oferecia o fruto do trabalho dela para pessoas desconhecidas que ela nunca iria encontrar.

REFLEXÃO

A Bíblia nos diz que há mais alegria em dar que em receber. Mas estamos numa sociedade em que tudo tem que ser feito por dinheiro ou por qualquer recompensa. Nada se quer fazer sem receber. Será que isso torna a pessoa feliz? Que o exemplo desta nativa seja como o ar puro que alivia o nosso espírito e que eleva a nossa vontade. Em especial quando encontrarmos a miséria e o sofrimento dos nossos irmãos e irmãs ao nosso lado. A eles saberemos dar ao menos uma palavra de conforto? O nosso julgamento no fim da vida será assim: “Vinde, benditos de meu Pai. Recebei por herança o Reino preparado para vós, pois tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, era forasteiro e me acolhestes, estive nu e me vestistes, doente e me visitastes, preso e viestes me ver… Em verdade vos digo: cada vez que o fizestes a um desses meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes” (cf Mt 25-34).

Publicado no Jornal Missão Jovem de Abril de 2018

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