A pergunta contra o consumismo: pra quê tanta coisa?

consumismo infantil

Os prejuízos ambientais causados pelo consumismo desenfreado é um dos temas recorrentes nos discursos do papa Francisco quando ele pede que a Igreja se comprometa no cuidado com a casa comum. A seguir, um texto com dados bem didáticos para trabalhar o assunto com as crianças e adolescentes

 

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e você acompanha seus pais nas compras porque sabe que isso pode ser uma garantia de que irá ganhar alguma coisa, saiba que sua atitude é um dos sintomas de uma pessoa consumista. Mas, o que é isso? Trata-se do ato de comprar algo que você de fato não precisa somente para mostrar status aos seus colegas ou, ainda, por influência dos comerciais que você assiste na TV.

Enraizou-se na nossa cultura que ter coisas é o que faz com que cada um seja reconhecido como uma pessoa de sucesso. “Se você não tem, só pode ser um perdedor”, acredita boa parte da população. Essa lógica consumista traz sérios problemas para o meio ambiente, porque, quanto mais se consome, mais se gasta os recursos naturais do planeta, visto que todo processo industrial envolve, por exemplo, o uso de água e energia elétrica. Além disso, quanto mais coisas temos, mais lixo descartamos. Aí mora o perigo: a Terra não dá conta de tanta exploração.

Especialistas apontam ainda que pessoas consumistas desenvolvem critérios e valores distorcidos em relação à ética. Afinal, querer ter tudo implica fechar os olhos a todos esses impactos. Isso sem falar nos problemas psicológicos associados ao consumo desenfreado, tais como ansiedade e depressão. Afinal, o vazio que carregamos no peito nunca poderá ser preenchido pelas coisas que compramos.

A pergunta é: então não podemos comprar mais nada? Pode, é claro! Mas de forma consciente. Sempre que desejar algo, pergunte-se: realmente preciso disso? Esse tipo de reflexão é urgente, como disse o ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica, no documentário “Humano” (disponível no Netflix). Nas palavras dele:

“Quando compramos algo, não pagamos com dinheiro. Pagamos com o tempo de vida que tivemos de gastar para ter aquele dinheiro. Mas tem um detalhe: a única coisa que não se compra é a vida. A vida se gasta. E é lamentável desperdiçá-la para perder a liberdade”.

COMPRAR É VICIANTE

Quando decidimos comprar algo, nossas células cerebrais liberam uma substância chamada dopamina, uma das mais viciantes para o ser humano. No organismo, a dopamina libera uma forte sensação de bem-estar que alimenta o hábito de continuar comprando, ignorando os apelos racionais.

ADOLESCENTES NA MIRA

Os veículos de comunicação usam uma grande característica do adolescente (se sentir aceito) para incentivar o consumo. A internet tem sido a principal ferramenta de influência, inclusive por meio de youtubers que recebem dinheiro para divulgar campanhas comerciais em seus vídeos nas redes sociais.

PUBLICIDADE INFANTIL

Pesquisas apontam que 80% das decisões de compra de uma família são influenciadas pelas crianças. Elas se tornaram alvos importantes para publicitários, não apenas porque escolhem o que seus pais compram e são tratadas como consumidoras mirins, mas também porque, impactadas desde muito jovens, tendem a ser mais fiéis a marcas e ao próprio hábito consumista. Para entender melhor os efeitos da publicidade infantil, você pode assistir ao documentário “Criança, a alma do negócio”, onde a cineasta Estela Renner mostra como a indústria descobriu que as crianças são o melhor alvo para vender um produto. Além de ouvi-las, o filme conversa com os pais, que relatam o quão influentes seus filhos são dentro de casa e o quanto isso tem a ver com as propagandas veiculadas na TV e na internet.

consumismo infantil

MAIS COISAS, MAIS LIXO

Quanto mais você compra, mais incentiva a produção que, por sua vez, exige mais recursos do meio ambiente. Além disso, para “abrir espaço” a tantos produtos, muitas coisas vão parar no lixo.

ANUALMENTE, 1,3 BILHÃO DE TONELADAS DE RESÍDUOS SÃO DESCARTADAS NO PLANETA, DE ACORDO COM A ONU.

CONSEQUÊNCIAS

O consumismo está relacionado à ideia de devorar, destruir e extinguir. Se tragédias naturais como queimadas, furacões, inundações gigantescas, enchentes e períodos prolongados de seca são muito mais comuns e frequentes hoje em dia, é porque a exploração irresponsável do meio ambiente prevaleceu ao longo de décadas.

A ARTE DO DESAPEGO

De que adianta doar algo se logo em seguida você substitui com coisas novas? Isso se chama renovação, e não desapego. Desapegar é aprender a viver com o necessário, visto que indivíduos conscientes e responsáveis são a base de uma sociedade mais justa e fraterna.

papa francisco

 

 

Publicado no jornal Missão Jovem de dezembro de 2018 – edição nº 345

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