Aldeia indígena de Vendaval

Izabel Patuzzo, Missionária da Imaculada, relembra um projeto executado pela união de forças missionárias em área de fronteira. Seu objetivo: enriquecer uma comunidade nativa com projetos sociais e nela ajudar a semear a Boa-Nova.

dia do índio

Celebração do dia do Índio

N
ossa presença missionária na aldeia indígena de Vendaval, na diocese do Alto Solimões, iniciada em fevereiro de 2014, foi uma feliz iniciativa do Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil em colaboração com a Conferência dos Religiosos do Brasil, setor São Paulo.

Congregações unidas

O projeto foi idealizado incialmente com a participação de religiosas de três Congregações Femininas: irmã Júlia Maria Peccim, em nome da Congregação Dominicanas de São José; irmã Luiza Ferreira da Silva, representando a Congregação Sagrada Família de Bordeaux; e eu, irmã Izabel Patuzzo, enviada pela Congregação Missionárias da Imaculada. Até recentemente, eu e a irmã Luiza permanecíamos no projeto.

Uma paróquia indígena na diocese de fronteira

Chegamos à diocese do Alto Solimões no dia 9 de fevereiro daquele ano, onde iniciamos o nosso processo de inserção na realidade do Amazonas. E, respondendo às necessidades da Igreja local, fomos enviadas à paróquia indígena São Francisco de Assis, na localidade de Belém de Solimões de Tabatinga-AM, que nos alocou na comunidade indígena de Vendaval. Nossa responsabilidade: acompanhar um núcleo de algumas pequenas comunidades próximas daquela região. Ingressamos, portanto, na única paróquia essencialmente indígena, no interior de uma área geográfica enorme, com 64 comunidades indígenas distribuídas ao longo do Rio Solimões e de seus Igarapés. Dispusemo-nos a colaborar e somar forças com a comunidade dos freis capuchinhos, que estão há décadas naquela paróquia. Assim, em comunhão, tentamos dar continuidade ao trabalho que por lá já se faz.

Durante dois anos e meio passamos por um longo processo de inserção naquela cultura tão diferente. A comunidade indígena de Vendaval pertence predominantemente ao povo da etnia ticuna, que ainda mantém sua língua materna e seus costumes ancestrais. Portanto, a comunicação com a população nativa continua sendo um desafio, pois o aprendizado do idioma é lento, já que a língua ticuna está em processo de passar da oralidade para a linguagem escrita.

Mãos à obra

A princípio, o nosso trabalho missionário consistia apenas em nos dar a conhecer, já que aquela gente nunca tinha convivido com a vida religiosa feminina. Então, do conhecimento mútuo, recíproco, cresceram um profundo respeito, amizade, companheirismo e fraternidade.

Tivemos que explorar por onde começar uma organização pastoral mínima que possibilitasse uma interação mais efetiva com os batizados. Iniciamos com a formação de um grupo de catequistas e animadores da Palavra.

curso corte custura

Curso de corte e custura

Com o desenvolvimento do trabalho missionário, percebemos que poderíamos enriquecer a vida da comunidade com a implantação de novas Pastorais, tais como a das Crianças e do Dízimo, além de oferecer a Catequese de Adultos. Na área social conseguimos desenvolver alguns projetos interessantes: curso de violão e de corte e costura. Também incentivamos a confecção de artesanato de sua cultura, e orientamos os homens para o cuidado com suas pequenas roças, no que diz respeito à preservação do meio ambiente.

O mais importante: a relação de partilha

Além dos trabalhos pastorais e sociais implementados, o mais importante para nós foi a relação construída com aquele povo no dia a dia. Visitávamos as famílias, participávamos de suas lutas por uma melhor qualidade de vida na área da educação, saúde, demarcação das terras, preservação de lagos e igarapés.

Aquela missão só foi possível com o apoio dos órgãos eclesiais que nos enviaram, pois as comunidades são muito carentes em todos os sentidos, uma vez que se encontram na região mais distante da capital. O único meio de transporte de que dispúnhamos é o fluvial, com longas distâncias a serem percorridas ao moroso ritmo dos caudalosos rios da Amazônia.

Agradecemos a todos que daqui nos acompanharam nessa missão desafiadora e esperamos que outros se disponham a retomá-la o mais breve possível, partilhando sua vida com aquela gente tão maravilhosa e que muito nos ensinou e nos enriquecia a cada dia.

A etnia ticuna

celebração-do-dia-do-índio3_webDe acordo com seus mitos, os índios da etnia ticuna são originários do igarapé Eware, situado nas nascentes do igarapé São Jerônimo (Tonatü), tributário da margem esquerda do Rio Solimões, no trecho entre Tabatinga e São Paulo de Olivença. Ainda hoje é essa a área de mais forte concentração de ticunas, onde estão localizadas 42 das 59 aldeias existentes. No início, eles mantiveram sua tradicional distribuição espacial em malocas clânicas (referentes a clãs) e, na década de 1970, havia mais de cem aldeias. Hoje, essa distribuição das suas aldeias se modificou substancialmente. No alto Solimões, tais nativos são encontrados em todos os seis municípios da região, a saber: Tabatinga, Benjamim Constant, São Paulo de Olivença, Amaturá, Santo Antônio do Içá e Tonantins. Sua população está distribuída em mais de 20 Terras Indígenas.

Publicado na Revista Mundo e Missão de julho 2017
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