Alegria em servir

Estar à disposição para ajudar as outras pessoas é um precioso caminho para a felicidade

D
esde a adolescência, o padre Teófilo costumava escrever, cotidianamente, seu diário, quase sempre após as últimas orações da noite. No caderninho azul registrava fatos alegres e tristes, encontros, intuições e, sobretudo, pensamentos espirituais. Dizia que, desta forma, aproveitava melhor a vida, porque nada seria jogado fora.

A lição de Jesus

Era noite. Apesar de o dia ter sido bastante cansativo, o velho missionário não renunciou a registrar suas reflexões, iluminado pela luz fraca de uma vela. Escrevia assim: “Hoje cansei, mas nesse cansaço todo me sinto feliz. Dia após dia, convenço-me que não há maior alegria do que servir. De fato, é bom viver fazendo os outros felizes. Não importa a idade que se tem. A lição de Jesus, até na minha velhice, me encanta: ‘Ele tinha a condição divina, mas não se apegou a sua igualdade com Deus. Pelo contrário, esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de servo e tornando-se semelhante aos homens’ (Fl 2,6-7). Na Última Ceia, pois, o exemplo foi ainda mais claro: ‘Durante a ceia, – quando o demônio já tinha lançado no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, o propósito de traí-lo -, sabendo Jesus que o Pai tudo lhe dera nas mãos, e que saíra de Deus e para Deus voltava, levantou-se da mesa, depôs as suas vestes e, pegando uma toalha, cingiu-se com ela. Em seguida, colocou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido’(Jo13,2-5)’”.

Esvaziar-se

Ao colocar por escrito tais passagens bíblicas, o velho missionário emocionava-se. Parou um pouco e, logo, continuou a anotar: “O que significa servir? Simplesmente fazer algo para alguém? O exemplo de Jesus é mais profundo, porque mostra que é necessário colocar-se na situação do outro e considerar o outro como mais importante. Jesus Cristo, de fato, ‘esvaziou-se a si mesmo’. Talvez, aqui esteja o eixo da questão: sem esvaziamento não há autêntico serviço!”. Após estas palavras, o padre Teófilo fez outra pausa e prosseguiu seu escrito: “Esvaziar-se significa descer ao nível de quem se ama. Jesus fez assim: rebaixou-se até nós, assumiu a dureza da vida humana sem nenhuma isenção. Este é o caminho de quem quer servir e não ser servido”. Depois, olhando para a vela acesa na sua frente, o velho missionário acrescentou este anseio: “Quero ser como esta vela: gastar a minha vida para os outros, até o fim. Tenho certeza que o mundo mudará”. Fechou o caderninho, apagou a vela e foi dormir contente de poder fazer o bem.

O serviço

As anotações do velho missionário padre Teófilo se concentram sobre um aspecto importante da espiritualidade cristã: o serviço aos irmãos e às irmãs. Vivemos numa sociedade, na qual, apesar de ter diminuído as distâncias pelo progresso tecnológico, aumenta a indiferença. As bandeiras da competição e do egoísmo acenam gloriosas. De onde vem, por exemplo, toda a violência que se alastra ao nosso redor? Da falta do amor que se torna serviço, isto é, da incapacidade de ver no outro alguém que deve ser acolhido, escutado, acompanhado. Quem se sente superior ao outro jamais conseguirá fazer isso, aliás, prejudicará a vida do seu semelhante. A alegria de servir, experimentada pelo padre Teófilo, deveria ser a de todo cristão.
Você acredita que a disponibilidade para o serviço, no sentido cristão, ajuda a construir uma sociedade melhor?

  • Você tem se colocado a serviço dos outros?
  • Que exemplos Jesus nos deu sobre servir ao invés de ser servido?
Publicado no Jornal Missão Jovem de Junho/Julho de 2018

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