Catequese infantil depende mais do que nunca da fé dos adultos

catequse

É preciso que o processo de iniciação da fé leve o catequizando a unir-se integralmente a Jesus Cristo, como discípulo e membro vivo da comunidade cristã

 

A
lém de ser um processo progressivo, dinâmico e permanente da fé cristã, a catequese exige planejamento e a busca por recursos pedagógicos que estejam sintonizados às novas gerações. A Iniciação à Vida Cristã resgatada pelo Concílio Vaticano II se inspira nas fontes do cristianismo, ou seja, nas experiências de transmissão da fé das primeiras comunidades cristãs. Há tempo, a Igreja do Brasil vem se empenhando para implantar um método de iniciação à vida cristã que integre fé e vida, doutrina e celebração, presença e compromisso. Um processo que não se restrinja apenas à catequese, mas que se abra à toda ação pastoral.

Na realidade, para a Igreja, desde os seus primórdios, a prioridade das prioridades na evangelização, na catequese, na liturgia e na vida cristã prática, são os adultos. “É necessário prestar crescente atenção à catequese de adultos e reconhecer que a catequese das crianças depende mais do que nunca da fé dos adultos”, diz o documento final do Congresso Internacional de Catequese de 1971, realizado em Roma. Nesse sentido, felizmente, há experiências práticas, criativas e fecundas produzindo entusiasmo renovador em toda a comunidade cristã.

O processo catecumenal que hoje se apresenta como novo foi um caminho antigo de transmissão da fé a partir das testemunhas vivas da palavra e ação de Jesus. Trata-se de um itinerário, um caminho de pertencimento que leva em conta as experiências da comunidade dos seguidores de Jesus antes, durante e depois da Páscoa. A atitude de quem se põe a caminho é a de uma pessoa discípula, aprendiz, seguidora do Mestre (cf. Documento 107 da CNBB).

Importância da vivência

Nas primeiras comunidades, o valor do mistério cristão e da Igreja era explicado e experimentado numa vivência marcada pelo rito, por meio de uma catequese chamada “mistagógica”, isto é, que inicia ao mistério. O rito, ao envolver a pessoa por inteiro, marca-a mais profundamente do que a simples instrução e permite interiorizar o que foi aprendido e proclamado, realçando a dimensão de compromisso.

O Concílio Vaticano II recomenda que a catequese seja feita em continuidade com a liturgia. Dessa forma, o processo de iniciação aos sacramentos é um meio para fortalecer a pessoa no seguimento de Jesus e não um fim em si mesmo.

Iniciação não é conclusão, muito pelo contrário, é para despertar o gosto e apontar caminhos; oferecer apoio e cultivar experiências.

A celebração do sacramento apenas para cumprir um preceito ou dar continuidade à tradição familiar não realiza o que o termo iniciação significa. Iniciar é ir para dentro, entrar no processo, começar algo que desenvolva uma identidade cristã capaz de sustentar a fé ao longo de toda a existência.

Para que isso se realize é necessário formar catequistas comprometidos com o processo de iniciação num itinerário catecumenal, conforme está escrito no Diretório Geral de Catequese: “Aqueles que, movidos pela graça, decidem seguir Jesus, são introduzidos na vida religiosa, litúrgica e caritativa do Povo de Deus” (DGC nº 134). O mesmo Diretório alerta que, muitas vezes, a praxe catequética apresenta uma ligação fraca e fragmentária com a liturgia. A atenção aos símbolos é tímida e a riqueza do mistério que vai se desdobrando por meio do Ano Litúrgico tem pouca sintonia com o itinerário catequético.

É preciso que o processo de iniciação leve o catequizando a unir-se integralmente a Jesus Cristo, como discípulo e membro vivo da comunidade cristã. Dessa forma, para que haja uma catequese eficaz, faz-se necessária uma articulação viva com a liturgia. Foi assim – num itinerário de catequese e celebração – que Jesus explicou as Escrituras, partiu o pão, formou comunidade, aqueceu o coração dos discípulos e provocou o convite: “fica conosco Senhor” (cf. Lc 24).

 

Texto publicado no jornal Missão Jovem de maio de 2019 – edição nº 349

Adicionar Comentário

Seu endereço de e-mail está seguro conosco. Campos obrigatórios são marcados com *

Telefone: (11) 5549-7295
Fax: (11) 5549-7257
Rua Joaquim Távora, 686
04015-011 Vila Mariana, São Paulo - SP