Como uma paróquia de periferia atendeu ao chamado para missão

Periferia de Belém

Padre Romeo Catan caminha pela comunidade

Uma paróquia de periferia em Belém, no Pará, tornou-se protagonista da ação missionária na região

 

T
erra Firme é o nome de um bairro localizado na zona sul de Belém e é um dos mais populosos da capital paraense, segundo o censo de 2010, que calculou um total de mais de 61 mil moradores. Antigamente, a área era alagada pelo rio Tucunduba. Durante sua ocupação, na década de 1940, os moradores transitavam em pinguelas (pontes improvisadas) e, com o passar do tempo, foram aterrando o local e o tornaram efetivamente firme – daí o seu nome. O bairro está próximo de diversas escolas, feiras, praças e igrejas, embora boa parte da população seja de baixa renda e ainda sofra com a carência de saneamento básico.

Devido à contínua ocupação do terreno e ao crescimento da população, foi necessário um intenso trabalho pastoral. A preocupação mais recente foi com o fortalecimento da comunidade paroquial e consequente ajuda aos fiéis para formar uma consciência missionária. Assim, em 2014 nasceu na Paróquia Santa Maria de Belém a iniciativa “Visitas Missionárias”, uma atividade que é única na Região Episcopal Santa Maria Goretti, que pertence à Arquidiocese de Belém.

Os protagonistas dessa iniciativa são os paroquianos, que se tornaram missionários da própria comunidade. De acordo com o padre filipino Romeo Catan, do Pontifício Instituto das Missões Exteriores (PIME) e pároco de Santa Maria de Belém, essa ação tem o objetivo de aproximar as pessoas, sobretudo aquelas que estão longe da paróquia, pois a maioria nem sabia a qual comunidade pertencia.

Durante os dias de visitas missionárias, os participantes percorrem casas de doentes, de idosos e de famílias em geral. Também realizam gestos concretos de solidariedade como, por exemplo, o reparo de casas abandonadas para pessoas necessitadas. A ação tem sido vista com bons olhos, tanto por paroquianos quanto pelos que não frequentam a igreja, pois os dois grupos sentiram-se acolhidos.

Voluntários em visita familiar

O dia típico de uma visita missionária começa com um momento de oração e um estudo bíblico. Em seguida, os missionários dão início às visitas nas áreas designadas. O dia se conclui com a santa Missa, rezada em uma das ruas visitadas pelos missionários, junto aos moradores. As visitas não são orientadas somente aos fiéis da paróquia, mas a todos, inclusive de outras denominações religiosas. Segundo o padre Catan, essas visitas também favorecem o diálogo entre os missionários da paróquia e os fiéis de outra fé; um diálogo que suscita uma experiência de consciência e convivência fraterna.

Frutos da missão

A partir de 2014, a iniciativa missionária começou a dar frutos para a paróquia. Foram inauguradas duas novas “áreas de missão” no espaço paroquial. Nelas, já acontecem várias encontros de formação para preparar as pessoas com a visão de que, no futuro, elas tomarão a liderança quando as áreas missionárias se tornarem comunidades.

Alguns bispos da arquidiocese já haviam participado das visitas missionárias realizadas na paróquia e foram inspirados a adaptar a iniciativa de missão e evangelização para toda a arquidiocese de Belém. De fato, no mês de agosto deste ano se realizará “A visita pastoral missionária” com os bispos da arquidiocese na Região Episcopal Santa Maria Goretti, composta por dez paróquias. Os missionários da Paróquia Santa Maria de Belém foram convocados a estar à frente dessa iniciativa. Espalhando a notícia dessa ação missionária, a paróquia teve também pedidos para iniciar esses trabalhos na área central de Belém.

A trajetória da Paróquia Santa Maria de Belém é um exemplo forte de uma “mudança de paradigma”: a missão que nasce na periferia e vai para o centro. Mostra que a periferia pode ser um importante berço da missão e as que aí residem podem ser protagonistas de ações missionárias efetivas. Trata-se de um testemunho que a missão é sempre possível e é de todos os batizados, onde quer que estejam e em qualquer situação.

Um passo pela história

A Paróquia Santa Maria de Belém começou como uma pequena comunidade fundada em 1982 pelo padre Francisco Villa, um missionário xaveriano. Na época, a comunidade pertencia à Paróquia São Domingos de Gusmão, mas o padre Villa viu a necessidade da criação de uma nova comunidade no bairro Terra Firme para ampliar a evangelização. Assim, foi iniciada a construção de um espaço em um terreno alagado, com as ruas cheias de pinguelas.

Com o passar do tempo, chegou mais um missionário xaveriano, o padre Gino Sala, que iniciou as celebrações dentro da área. Foi ele o responsável por criar um grupo de evangelização conhecido como Grupo de Rua, que se preparava por meio de estudos bíblicos. Ele também implantou a Pastoral da Catequese, devido ao grande número de crianças sem a Primeira Comunhão, por causa da grande distância da igreja matriz. A nova capela foi criada ao lado do antigo barracão e inaugurada no dia 30 de setembro de 1990. No dia 1º de setembro de 2013, finalmente se tornou a mais nova paróquia da arquidiocese e a segunda do bairro Terra Firme, abrangendo quatro comunidades: igreja matriz, Sagrado Coração de Jesus, São Guido Maria Confort e São Francisco de Assis. A missão agora continua com o PIME, através dos seus padres Romeo Catan, filipino, e Daniel Curnis, italiano.

 

Reportagem publicada na edição impressa da revista Mundo e Missão – nº 231 (abril/2019)

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