Como viver na era dos radicalismos?

extremismos

Ilustração: Malte Mueller

Os extremismos não têm pátria e nem profissão de fé:  miram pelo mundo “os diferentes” ou “os inferiores” |

 

O
vice-presidente da Conferência dos Imãs da França, imã Hocine Drouiche, reflete em AsiaNews sobre os atentados extremistas que, na Páscoa, semearam mortes na comunidade cristã do Sri Lanka. Segundo ele, as autoridades muçulmanas não querem enfrentar o pensamento terrorista extremista de modo firme e corajoso. Afirma: “O massacre terrorista no Sri Lanka é muito significativo. No Mundo, o ódio contra cristãos continua a aumentar, mesmo que estes defendam a paz, apoiem os pobres e cuidem dos doentes.

Todos os anos, os católicos gastam bilhões para salvar vidas e construir escolas para crianças carentes. Mas isso não impede que eles paguem pelas consequências políticas dos países ocidentais, geralmente laicos. Nem o Vaticano tem poderes sobre estes países seculares. Se o lugar dos cristãos é importante nos livros do Islã, incluindo o Alcorão, é tempo de o mundo muçulmano perguntar-se sobre o aumento da cristianofobia. Esta odiosa interpretação produz bombas humanas que matam tudo o que é diferente, inclusive os muçulmanos que não pensam como eles”.

Os fatos demonstram que os extremismos não têm pátria e nem profissão de fé. Eles miram pelo mundo “os diferentes”, ou “os inferiores”. Em 2011, por exemplo, o terrorista cristão da extrema-direita norueguesa Anders Breivik matou 77 pessoas que não pensavam como ele. Recentemente, aconteceram ataques às mesquitas de Londres e Quebec. Onze fiéis judeus foram assassinados em uma sinagoga em Pittsburgh. Na Nova Zelândia, terroristas invadiram duas mesquitas, deixando um saldo de 49 mortos e mais de 40 feridos. No fim de abril, um “lobo solitário” matou uma pessoa e feriu outras numa sinagoga na Califórnia. Há outros episódios dos quais pouco se fala.

Os latinos afirmavam que “extrema se tangunt” para dizer que “os extremos se tocam”. Ou seja: todos os extremismos, todas as intolerâncias, não importa de que lado venham, têm um só objetivo: a própria supremacia. Os nazistas, por exemplo, pregaram a pureza da raça ariana, que seria a linhagem “não infectada” dos seres humanos. Portanto, tinham a “obrigação” de eliminar os que eles julgavam “inferiores”, particularmente os judeus. E deu no que deu.

Nunca devemos lamentar o “martírio” de alguém que foi assassinado na defesa da fé, apenas porque a vítima pertencia à nossa religião. Ou seja, a intolerância e o extremismo devem ser condenados em si mesmos, independentemente do grupo contra o qual tais atos infames sejam praticados.

Caso contrário, a condenação corre o risco de incendiar a nossa própria intolerância. E sabemos quanto sangue já manchou o tecido da nossa história humana.

 

Editorial publicado na revista Mundo e Missão de junho/julho de 2019 – edição nº 233
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