Conheça o jogo de cartas que ensina noções de ética às crianças

Brincadeira estimula a prática da ética mediante exemplos concretos de situações desafiadoras

 

C
omo de costume, o jornal Missão Jovem traz algumas dicas que podem tornar o encontro catequético mais lúdico e fácil de ser assimilado pelas crianças. A ideia é sempre apresentar um modo diferente de tratar questões complexas de maneira simples, mas nunca de forma superficial, é claro. Dessa vez, selecionamos uma ideia bem bacana: um jogo de cartas para falar sobre ética. Trata-se de um material desenvolvido por uma especialista em problemas de aprendizagem que atua há 30 anos no ramo educacional. Percebendo a dificuldade que as crianças têm em entender conceitos abstratos, como a ética, ela criou uma ferramenta bastante útil para que pais e educadores consigam passar esse tipo de valor por meio de uma brincadeira: o Jogo dos Dilemas.

Vendido em várias livrarias online e por um preço bastante acessível, o jogo é composto por 40 cartas. Cada uma delas apresenta situações cotidianas que remetem a uma reflexão. Um exemplo de dilema: na escola, entre colegas, duas crianças acertam e erram o mesmo número de questões, mas uma delas tira uma nota maior. O que fazer? Permanecer com sua nota correta e deixar que outra tire vantagem ou avisar o professor? O jogo, porém, não se restringe a pequenos dramas vividos pelas crianças. Há a possibilidade de pensar em questões mais amplas, que envolvem a estrutura da sociedade como um todo. Por exemplo: em outra carta, que apresenta um momento em que uma mãe com o filho faminto rouba uma lata de leite no supermercado, a criança é submetida a pensar a respeito do limite da sobrevivência.jogo

Competências socioemocionais

Em entrevista ao portal Sempre Família, a criadora do jogo, Viviani Zumpano, que é neuropsicopedagoga e mestre em Psicologia da Educação, disse que o grande diferencial desse tipo de brincadeira é a possibilidade de desenvolver competências socioemocionais. “Hoje, mais do que nunca, esse é um requisito básico para a evolução do ser humano”, disse. Ela explicou que as crianças, atualmente, crescem em um mundo muito egocêntrico e que é necessário que elas aprendam a olhar as situações do ponto de vista do outro, de maneira mais empática.

Ainda de acordo com Viviani, um dos grandes ganhos da criança por conta do jogo é o fato de que, se ela ainda não viveu aquele dilema, ela entra em um processo de ensaio. “Ela experimenta situações e pode refletir e aprender, desenvolvendo o contexto e olhando-as sob a ótica de um terceiro”, avalia. “A ética é um valor que deve ser ensinado desde cedo, tanto em casa como na escola. E a prática é a melhor forma de ensinar. Isso quer dizer que se os pais querem criar filhos com comportamentos éticos, precisam agir de forma ética, já que a criança é o reflexo do comportamento dos pais e adultos com os quais convive”, completa Viviani.

O respeito e a ética são produtos da construção cultural coletiva e aos pais e catequistas cabe o papel de exemplos firmes dessas questões. “Infelizmente, muitas crianças e adolescentes fazem algo certo porque estão condicionados ao medo. Por ser um jogo que os fazem refletir, eles optam pelo certo porque é o certo, e não porque alguém vai repreendê-los posteriormente”, ressaltou a especialista.

 

Publicado no jornal Missão Jovem de maio de 2019 – edição nº 349

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