Curso A Cidade Invisível

A centralidade da pessoa no processo educativo

Quando: de 24/02 a 07/04

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O curso situa-se no âmbito da assim dita crise da sociedade pós moderna, que desencadeia uma verdadeira emergência educacional, isto é a falta de um desenvolvimento integral da pessoa, na falta de um amadurecimento da comunidade humana. As duas coisas vão juntas, não sendo possível um amadurecimento da comunidade sem um equivalente amadurecimento da pessoa, e vice versa.

De fato a finalidade da educação, de qualquer relacionamento educativo, é acompanhar e incentivar o “florescer” de cada pessoa no “florescer” do “conjunto” humano. Um florescer que precisa de algumas condições básicas, de hábitos adequados, porque não acontece espontaneamente, mas necessita de constante cuidado. Também a saída da pobreza, de fato, nunca consiste só no aumento do poder aquisitivo, mas de uma renovada autoconsciência.

No pano de fundo está, portanto, a espinhosa questão antropológica, que sempre tem que ser enfrentada cada vez as grandes mudanças de época quebram o modelo precedente, para que o ser humano continue sendo o protagonista de sua vida e não só um espetador ou um utensilio a ser usado.

Estamos, de fato, frente a uma espécie de mutação “genética”, devida não apenas à irrupção do mundo virtual, mas também à falida transmissão entre gerações que deveria ser função principal do mundo adulto. Se, de fato, os conteúdos são universalmente acessíveis, é suficiente compulsar o computador para obter informações, aquela que poderíamos definir como sapientia vitae tornou-se, se não inencontrável, extremamente rara.

A traditio se interrompeu.

Daí a devastadora sensação de vazio que, particularmente, os jovens padecem. Dados divulgados pela BBC Brasil indicam que, entre 1980 e 2014, a taxa de suicídio entre jovens de 15 a 29 anos aumentou 27,2%. A depressão está aumentando em toda a população, inclusive entre os mais jovens. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil é o país campeão mundial do transtorno de ansiedade e é o quinto em número de pessoas com depressão; o que significa aproximadamente 11,5 milhões de brasileiros.

Deste ponto de vista, a sociedade de certa forma se “unificou”. Não porque melhorou o recíproco re-conhecimento, mas pela presença de fenômenos degenerativos semelhantes, reencontráveis em realidades socioeconomicamente distintas e, normalmente, reciprocamente impermeáveis.

Certamente a crise da nossa época desmascara a ilusão da modernidade que fez o homem achar que podia mudar tudo de acordo com a sua vontade. Mas a insegurança que deriva disso não deve levar-nos a aderir maciçamente a um discurso de tipo paranoico, no qual não se fala de nada além da necessidade de se proteger e sobreviver.

Se a extirpação radical da insegurança pertence ainda à utopia modernista da onipotência humana, o caminho a seguir é outro, e é precisamente o da construção de vínculos de afeto e solidariedade, capazes de conduzir as pessoas para fora do isolamento no qual a sociedade tende a encerrá-las, em nome dos ideais individualistas (Umberto Galimberti).

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Programa

24 fevereiro, das 9hs às 12hs
O Mistério humano
Fenomenologia de um ser complexo
Professora Suzana Carneiro, Psicóloga e doutora em psicologia clínica

Toda obra educativa é guiada por uma visão de mundo e de pessoa, daí a importância de nos perguntarmos: O que é ser pessoa? Como ela se forma? Qual o papel do educador nesse processo? Percorreremos essas questões tomando como referência a fenomenologia de Edith Stein, filósofa alemã, judia e monja carmelita, morta no campo de concentração em Auschwitz em 1942. Com sua vida e obra, Edith Stein evidencia o valor da pessoa humana e nos oferece bases sólidas para um trabalho educativo comprometido com esse valor.

3 Março, das 9hs às 12hs
Além de si mesmo
O (re)encontro consigo: raiz da vida criativa
Professora Silvia Brandão, Psicóloga com mestrado e doutorado em Educação

Os processos educativos na sociedade atual se dão em meio a transformações de grandes proporções como a fragmentação e multiplicidade de referências, desinstitucionalização e desregulamentação global, fragilização de vínculos de pertença que deslocam a pessoa de seu lugar no mundo social e cultural e, ao mesmo tempo, deslocam-na de si mesma, provocando perguntas significativas acerca de si própria. Nesse contexto, o trabalho (auto)biográfico apresenta-se como uma metodologia eficaz para a descoberta de si mesmo e orientação no meio sociocultural por promover a memória, a apropriação da história pessoal e identificação do valor do outro e da cultura, recursos fundamentais para a constituição da identidade e diálogo com o outro.

10 Março, das 9hs às 12hs
Educação Básica no Brasil
Inspiração humanista ou derivação tecnocrática?
Professora Vivian Aparecida da Cruz Rodrigues, Educadora, mestre em Educação

Entende-se a educação como a base de construção de qualquer sociedade. Educar é um ato que supera a profissão, é uma missão! A proposta desse curso é refletir sobre a Educação Básica no Sistema de Educação Brasileiro. À ela compete as etapas da Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. Cada curso é ordenado por componentes curriculares, cujo objetivo é organizar a educação escolar. Para tanto, o Ministério da Educação (MEC), órgão responsável pela Educação no Brasil, elabora documentos, a fim de traçar os caminhos a serem seguidos pelo Sistema. Ultimamente, o documento em discussão é a Base Nacional Comum Currricular (BNCC). A ideia foi a construção de um documento construído por professores, atuantes em sala de aula. Porém, este é um documento que apresenta muitos limites, dentre eles, os detalhamentos a que se propõe estabelecer. Acredita-se que, para Educar, precisa-se de antecedentes, sendo os principais os professores, advindos de uma boa formação, inseridos num sistema que oferece apoio, condições e recursos: materiais e intelectuais. Materiais didáticos, de modo especial, apostilas, são meros instrumentos, e não podem reger o Sistema. A discussão a ser levantada e explorada é à respeito das atuais propostas do Sistema Educacional Brasileiro e seus desdobramentos, para, juntos, pensarmos possibilidades de uma educação que, de fato, se efetive como uma educação integral, que vise o desenvolvimento da pessoa humana, ou seja, um ser humano, de fato, humano.

17 Março, das 9hs às 12hs
O sentido do humano
Transcendência, transcendente e religião
Professor Laez Barbosa da Fonseca, Coordenador pedagógico, mestre em Filosofia e Educação

Dentre os seres vivos, o ser humano é o único que não se encontra adaptado e satisfeito com a sua própria natureza e com o meio no qual vive. Diante do mundo, dos outros e de si mesmo, ele sempre pergunta pelo significado de todas as coisas, criando assim um mundo de cultura e do sentido. Há superabundância de ser no ser humano e esta característica o coloca, inevitavelmente, em um movimento em direção ao transcendente. A transcendência é, portanto, uma qualidade (atributo) do ser humano, sendo o transcendente o sujeito capaz de realizar esta qualidade. Transcendência e transcendente são, assim, experiências constitutivas do modo humano de ser.
A religião será configuração e manifestação, no tempo e no espaço, desta dimensão constitutiva. O elemento comum de toda essa experiência a coloca em um lugar central do coração e da experiência humana. As diferenças de costume, linguagem e cultura explicam a sua diversidade.
Toda educação que pretenda ser integral, libertadora e humanizadora precisa incluir, em seu currículo, esta realidade.

24 Março, das 9hs às 12hs
Práxis ou memória
A pedagogia de um re-conhecimento
Professora Daniele Batagin, Psicóloga e mestra em Ciências das religiões

Na discussão desta temática faremos uso de um caminho teórico reflexivo, precisamente da Logoterapia de Viktor Frankl e da Teoria do Reconhecimento Honneth. Dentro da pedagogia do sentido veremos que a memória se forma a partir das experiências que o sujeito faz dentro da sua existência. Uma existência com tantas possibilidades que o sujeito deve avaliar com ajuda dos educadores. Uma tarefa que se torna cada dia mais difícil, pois o professor duela dentro de um tempo-espaço, onde o processo pedagógico tem que se reinventar diariamente.
Ao passar pelo processo de ensino-aprendizagem, temos que viabilizar uma experiência que perpasse pela existência de nossos alunos, pois somente desta forma teremos a possibilidade de desenvolver os valores criativos, atitudinais e experienciais que permitem que o sujeito reconheça o sentido da vida. Ao reconhecer na vida, nas experiências o sentido, possibilitamos que o processo da memória se institua naturalmente. Desta forma constituímos uma educação para a Liberdade, e uma vivência com responsabilidade.

 

07 Abril, das 9hs às 12hs
A Interculturalidade, desafio do século XXI
Implementação de uma Pedagogia da convivialidade
Professor Memore Restori, Mestre em Teologia, Pós-Graduado em Ensino Religioso

O cenário “pintado” pela globalização, com tintas fortes a respeito da pluralidade cultural, nos motiva para desencadear na Instituição Escolar um processo que leve ao encontro com “o EU, o OUTRO e o NÓS”. Através da elaboração de projetos educacionais adequados – envolvendo professores, pais, alunos e funcionários – poder-se-á criar oportunidades concretas para desenvolver e experimentar formas novas de pensamento e de atuação no âmbito escolar: ações abertas ao diálogo, à acolhida, ao pluralismo, à reciprocidade, ao confronto pacifico e criativo com o Outro, o Diferente. Tudo isso não simplesmente através da tolerância, mas com plena consciência de que a troca e o relacionamento sempre acontecem entre Iguais e a diversidade é, antes de mais, um valor, uma riqueza.

 

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