A dança como expressão de Deus

Apresentamos a dança como uma continuação da criação de Deus.
Dançar é também rezar.

Dança

A
lguns dizem que não é preciso saber dançar, basta sentir o ritmo e se mexer, o importante é não ficar parado. Que levante o dedo quem nunca dançou, seja na festa junina da escola, ou sozinho, no quarto, quando ninguém estava olhando. Alguns estudiosos garantem que a dança é algo inerente ao ser humano.
Para a escritora italiana Giulina di Berardino, especialista em teologia litúrgica, em seu livro “Dançar a misericórdia”, a dança é linguagem, e, como tal, é autoexpressão. A dança é uma linguagem simbólica que nos coloca em contato com “o outro de mim”. À luz de tudo isso, poderíamos dizer que a dança é realmente o primeiro ato de adoração que a humanidade fez, a forma original pela qual o homem percebeu o sagrado. Isso ocorria porque o corpo, quando dança, gera vida, criando formas que lembram outra presença por si viva, porque exige reciprocidade. Este é o sentido espiritual do corpo: o desejo que nos faz viver e nos empurra para a vida.
Em 1999, São João Paulo II escreveu que o artista é a imagem de Deus-Criador; por isso, quanto mais consciente está o artista do “dom” que possui, tanto mais se sente impelido a olhar para si mesmo e para a criação inteira com olhos capazes de contemplar e agradecer, elevando a Deus o seu hino de louvor. Só assim é que ele pode compreender profundamente a sua vocação e missão.

Dom que nasce do amor a Deus

Juliana Araújo Ferreira, bailarina e palhaça, desde sempre entendeu a sua vocação aos palcos e nos conta um pouquinho de sua trajetória:
“Acredito que a dança é realmente um dom de Deus, pois, no meu caso, ela não era uma opção, mas um chamado que eu devia seguir. É como se eu não tivesse outra escolha, pois, pelo contrário, estaria traindo a mim mesma. Na dança, o instrumento de trabalho é o corpo e, sendo o corpo o templo do Espírito Santo, sinto-me instrumento de Deus. Trabalhei muito com dança contemporânea, cuja linguagem muitas vezes se esbarra na improvisação. A criação do intérprete é muito valorizada. Eu sentia que não precisava fazer esforço para criar coreografias. Eu só exteriorizava aquilo que parecia já estar pronto na minha alma e sentia sempre uma alegria muito grande e uma liberdade imensa quando dançava, apesar das dores e da exaustão dos ensaios”.
Ao ser questionada sobre as dificuldades da profissão, Juliana nos conta que não é uma estrada fácil; pelo contrário, ser cristã e ser bailarina significa ir contra a corrente:
“Não é fácil trabalhar como artista cristã no mundo de hoje. Muitas vezes tive que renunciar a trabalhos que não condiziam com minha fé e minha consciência. A última companhia de dança na qual trabalhei me dispensou por eu não aceitar algumas propostas, dentre elas, dançar nua. Vejo que atualmente na dança também se instaurou um terrível relativismo moral e uma tremenda inversão de valores. Ao invés de vermos nosso corpo como um instrumento de expressão divina, este se tornou o próprio deus, cultuado ao extremo e explorado sem pudor. Mas a dança é um caminho muito bonito. Não há palavras suficientes para expressar a alegria interior que sinto quando eu danço, principalmente quando me lembro que estou tocando o intangível, continuando a Criação de Deus aqui na terra.”
Dança II

Entre o ballet e o circo

No decorrer de sua trajetória como bailarina, Juliana encontrou uma amiga, a Katrina.
“Descobrir-me como Katrina foi surpreendente. Se me sentia de alma livre ao dançar, como palhaça descobri que esta liberdade poderia ser ainda maior e sem limites. Uma vez, uma professora me disse que o palhaço era um ser que queria apenas ser amado, e por isso fazia de tudo para agradar sua plateia.  E isso é o que sempre me encantou no trabalho de palhaço, esta dependência da plateia, de saber que sem as pessoas o palhaço não existe, que você depende do sorriso delas para existir e ser feliz, e nesta moeda de troca você as faz sorrir também, é maravilhoso! Para ser palhaço você tem que se desfazer de todas as suas máscaras, para conseguir um estado de inocência e deslumbre da vida; estar mergulhado totalmente no momento presente, que é a essência do palhaço. Um palhaço fora do presente não consegue estar aberto às pessoas, não consegue estar inteiro para outro. Acho que o palhaço é a mais bela piada de Deus; é o instrumento que para o mundo é o mais tolo, mas na lógica de Deus o mais eficaz, pois ele se desfaz de tudo para ser um com o próximo; se deixa humilhar para conseguir um sorriso, tropeçando até de propósito para ver uma criança feliz. O meu grande aprendizado como palhaça foi descobrir que nesta linguagem o ridículo, o tolo, o mais fracassado diante do mundo é o rei do picadeiro. No fundo é aquele que, para ser o maior diante de Deus,  é o que mais se põe a serviço”.
Nosso corpo é instrumento de Deus, o corpo fala, o corpo ora!
Você já dançou hoje? Ou já fez alguém rir? Ainda dá tempo!
Circo

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