Dois brasileiros estão na lista dos 50 melhores professores do mundo

professores brasileiros

Com aulas em escolas públicas de São Paulo e Pernambuco, Débora Garofalo e Jayse Ferreira disputam o Global Teacher Prize

 

A premiação internacional Global Teacher Prize, que escolhe anualmente os melhores professores do mundo e é considerado o “Nobel da Educação”, divulgou recentemente sua aguardada lista de 50 finalistas, entre os quais o vencedor irá ganhar um prêmio de 1 milhão de dólares. Dos 10 mil candidatos inscritos, de 179 países, dois brasileiros que dão aula em escolas públicas foram selecionados: Débora Garofalo, da Escola Municipal de Ensino Fundamental Almirante Ary Parreiras, de São Paulo, e Jayse Ferreira, da Escola de Referência de Ensino Médio Frei Orlando, de Itambé, no Pernambuco.

Débora leciona numa escola periférica, cercada por quatro favelas. Foi lá que ela criou o projeto Junk Robotics – Promovendo a Sustentabilidade, que envolveu os alunos na coleta e uso de resíduos para a produção de protótipos, utilizando conceitos de Física e Eletrônica. Trata-se de uma iniciativa focada no desenvolvimento de tecnologia, além de despertar o senso crítico dos alunos em relação à sustentabilidade, pois o trabalho é realizado essencialmente com materiais recicláveis. As primeiras aulas da professora Débora começam fora da escola, recolhendo lixo. Com os alunos, já retirou quase uma tonelada de resíduos das ruas do bairro. O trabalho continua dentro da sala de aula, que funciona como uma espécie de usina de reciclagem.

débora garofalo

Ela também realizou aulas abertas sobre gestão de resíduos para a comunidade local e incentivou as pessoas a trazerem itens que, de outra forma, seriam jogados fora. Dessa forma, Débora ensina a criatividade da cultura “criadora” para encorajar os alunos a transformar esse desperdício em protótipos de coisas que imaginaram, projetaram e construíram.

Devido ao sucesso do Junk Robotics, as escolas municipais de São Paulo usaram-no como base para implementar um novo currículo de tecnologia, incluindo o ensino de programação e robótica.

Arte para despertar

Já o professor Jayse, que dá aulas de educação artística, começou a inovar ao perceber que a maioria dos alunos faltava muito e não se envolvia nas atividades, sobretudo da sua disciplina. Ele pesquisou entre os estudantes o que tornaria a escola mais atraente e descobriu que o currículo estava fora de sintonia das experiências vividas por eles. A partir daí, em contato com games e filmes que fazem sucesso entre os adolescentes, o professor propôs atividades diferenciadas, com tecnologia e mídia social como elementos importantes. Assim nasceu o projeto “Vamos encurtar esta história?”, incentivando os alunos a revisitarem narrativas de filmes, séries e games que mais gostavam para reescrever novos finais para as histórias. Aos poucos, os alunos começaram a adaptar roteiros, gravar e montar histórias com direito a efeitos especiais e até indicação de faixa etária.

Junto às filmagens, os alunos de Jayse se envolveram em debates sobre as questões abordadas. Um particularmente chamou sua atenção: a discussão de suas identidades raciais e religiosas diante de experiências de preconceito. Isso levou a um projeto de fotografia explorando a etnia no Brasil. O trabalho foi exibido para toda a comunidade e, posteriormente, os incidentes de preconceito na escola foram reduzidos a zero.

jayse ferreira

“Eles estão mais participativos, frequentam mais as aulas, tiram boas notas, têm oportunidade de mostrar o que sabem fazer e isso faz toda a diferença. A gente só aprende se estiver empolgado”, afirmou Jayse ao portal G1. “O mundo lá fora vai querer um aluno crítico. Eu quero um aluno que questione, que procure saber o porquê daquilo”, completou.

Confira a entrevista que Jayse concedeu à TV Escola para entender melhor o projeto que ele desenvolveu:

O anúncio do vencedor do Global Teacher Prize 2019 será realizado numa cerimônia em Dubai, no mês de março.

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