De circos e de esperanças

circo

Existem circos e “circos”. No primeiro, trabalham profissionais honrados, éticos. No outro, bem… você já conhece os bastidores dos poderes

 

Atrás da cortina, raros ensaios; afinal, a trupe domina qualquer cena. Apenas aguarda a pancada no sino para se mostrar, aos guinchos desastrados da “furiosa”, a bandinha que nunca falta. Eis que surgem, saltitantes. Palhaços à frente: “Hoje tem marmelada? Tem, sim, senhor!”. A plateia não sabe se aplaude o malabarista, a equilibrista, o engolidor de fogo, o ilusionista, os palhaços. Ou nenhum deles. Corre o zum-zum: “Opa! Como são todos parecidos!.” Neste circo nos encontramos, a um passo das urnas eletrônicas.

Os eleitores sabem que a trupe aferrada ao poder acostumou-se a varrer pra baixo do tapete, ou simplesmente não se lembra que “a administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência…”, conforme exige a nossa Lei Maior.

No início da República, clamava Rui Barbosa:

“De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”.

Em nossos dias a toada se repete: “Hoje tem marmelada? Tem, sim, senhor!”. Mais moderado, talvez por ser teólogo, e anterior ainda ao Barbosa, James Freeman Clarke deixou uma atualíssima lição aos homens públicos de todo o mundo. “Um político – escreveu Clarke – é alguém que pensa na próxima eleição, enquanto o estadista pensa na próxima geração. O político pensa no sucesso de seu partido; o estadista, no bem de seu país. O político adota uma ou outra medida; o estadista estabelece um ou outro princípio. Finalmente, o estadista se preocupa em dar um endereço, enquanto o político se contenta em se deixar levar pelo vento”.

E levadas pelo vento estão as instituições pelo mundo afora. Mas o papa Francisco, sempre otimista e ciente das rupturas éticas, oferece um alento:

“O termo ‘crise’ não tem, em si mesmo, uma conotação negativa. Não indica apenas um triste momento, que deve ser superado. A palavra crise tem origem no verbo grego crino, que significa investigar, avaliar, julgar. Este, portanto, é um tempo de discernimento, que nos convida a avaliar o essencial e a construir sobre ele: logo, é um tempo de desafios e de oportunidades”.

De pé nas fileiras do grande circo – prezado amigo de todas as horas –, a equipe da revista Mundo e Missão o convida, assim como a seus familiares e amigos, a avaliar o que é essencial nestas eleições. Iluminados pela ética, todos precisam descer ao picadeiro e iniciar um espetáculo diferente, corajoso. O show da cultura da vida, da alegria do Evangelho. Apaixonadamente missionários. A hora é de desafios e oportunidades.

Editorial publicado na revista Mundo e Missão de outubro de 2018 – edição nº 222
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