Educação da fé: ação catequética precisa ser criativa

criatividade na catequese

Se a fé e a vida se realimentam dentro do processo de amadurecimento humano, faz-se necessária uma série de atividades diferenciadas e  pensadas de forma inteligente para conduzir a um objetivo: promover uma verdadeira experiência e encontro com Deus

 

O
s documentos pós-conciliares são unânimes em ressignificar o que, por séculos, se entendeu por catequese (ensino, instrução, doutrina). À luz das novas Ciências Humanas, a ação catequética abriu-se à compreensão de uma metodologia bem mais abrangente e deu novo significado a esse ministério a partir do conceito de processo.

“A catequese é um processo de educação comunitária, permanente, progressiva, ordenada, orgânica e sistemática da fé. Sua finalidade é a maturidade da fé, num compromisso pessoal e comunitário de libertação integral, que deve acontecer já aqui e culminar na vida feliz” (Catequese Renovada, n.318). Portanto, não mais um ensino pontual sobre alguns sacramentos ou uma etapa de instrução a respeito de um determinado credo, mas um compromisso de fé vivenciado no âmago das relações sociais.

Um processo que se inicia antes mesmo do nascimento e passa por todas as fases do desenvolvimento humano, num amadurecimento progressivo da fé, que vai se definindo pelas opções e re-opções que se fazem ao longo da vida. Esse processo começa antes mesmo do nascimento porque a vida social dos pais, suas crenças, seus projetos e, sobretudo, suas relações vão influenciar a vida do filho em todas as dimensões, inclusive na espiritual. A vida resulta de uma negociação com o mundo que nos cerca. E a fé não é estranha a esse processo; ela se fortalece ou não dentro dessa negociação de sentidos e relações. Por isso, fala-se de processo permanente, fala-se de integração entre fé e vida. E o berço desse vínculo é a família.

A fé é um dom, mas somente se expande à medida que se constrói na trama do tecido social. Dessa forma, a ação catequética tem que ser necessariamente criativa para se tornar luz que orienta, pão que fortalece e esperança que gera alegria

Se a fé e a vida se realimentam dentro do processo de amadurecimento humano, faz-se necessária uma série de atividades diferenciadas, pensadas e inteligentes que conduzam a um objetivo. Então, quando isso acontece, espera-se que o processo seja criativo e eficaz. Como o fazer cotidiano não se repete; um processo criativo é sempre aberto, porque o contexto, as motivações, as oportunidades e os desafios são sempre novos, mesmo quando repetitivos. Isso porque o tempo, o lugar e o espaço social em que o sujeito se insere é sempre novo.

Criar significa captar o significado (da palavra/fato/ideia) e integrá-lo num novo nível de consciência. Assim, um acontecimento de fé deverá ser interiorizado e tornar-se experiência, convicção, para ser expresso numa linguagem que alcance seu objetivo. Tudo isso exige responsabilidade e conscientização.

Tanto a fé como a criatividade são dons, mas também aprendizados contínuos que se dão ao longo de toda a vida. E a comunidade, espaço social de múltiplas experiências e relações de convivência, torna-se o lugar privilegiado para o amadurecimento desses dons: fé e criatividade. A fé é um dom, mas somente se expande à medida que se constrói na trama do tecido social.

Dessa forma, a ação catequética, aberta a esta nova compreensão, tem que ser necessariamente criativa para se tornar luz que orienta, pão que fortalece e esperança que gera alegria. O processo criativo é amplo, é plural, é perspicaz, é pensar fora da caixinha. Isso tudo é provocador e, ao mesmo tempo, propõe uma perspectiva animadora.

Esse processo se desenvolve na família, escola, comunidade, movimentos, grupos, e também no ambiente digital. A família é o alicerce e os outros lugares são reforços. O processo tem etapas: primeira infância, segunda infância, adolescência, juventude, maturidade etc. Por isso, um mergulho no mistério pascal exige metodologia, psicologia, pedagogia e mistagogia. Além, é claro, de conhecimento bíblico e litúrgico, bem como um forte empenho para a coerência entre palavra e ação, e uma autêntica vocação cristã. É dentro desse viés e dessas abordagens que pretendemos abrir a reflexão de uma série de textos que serão publicados a partir de agora no encarte catequético do jornal Missão Jovem.

 

Publicado no jornal Missão Jovem de novembro de 2018 – edição nº 344

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