A Educadora do Ano

Professora-Elisângela

Elisângela Dell-Armelina Suruí, de Rondônia, elaborou projeto didático em escola indígena (Foto: Fundação Victor Civita)

Pedagoga de escola indígena recebeu prêmio após elaborar projeto para que os alunos criassem o próprio material didático

 

A
conquista de Elisângela Dell-Armelina Suruí, professora da Escola Estadual Sertanista Francisco Meirelles, localizada na aldeia Nabekod Abadakiba, na área rural de Cacoal, mostra o potencial da educação no estado de Rondônia.

Ela foi a escolhida para receber o prêmio “Educadora do Ano”, que é oferecido pela Fundação Victor Civita em parceria com a Fundação Roberto Marinho. “Saber que o prêmio que eu conquistei está sendo considerado um marco para a educação do estado de Rondônia, e de toda a região Norte, faz-me sentir extremamente honrada e orgulhosa”, relatou a professora.

O projeto

Os alunos da classe multiseriada de 1º ao 5º ano de Elisângela falam a língua indígena paiter suruí, mas tinham tanta dificuldade para escrever nela quanto para entender os materiais didáticos em língua portuguesa. Por isso, ela preparou, junto a eles, um caderno de atividades de escrita e leitura na língua materna, estabelecendo relações com a língua portuguesa e com a de sinais, já que existem alunos surdos entre o povo Paiter. Foi assim que surgiu o projeto “Mamug Koe Ixo Tig”, que significa “A fala e a escrita da criança”.

O projeto desenvolvido pela professora incluiu a elaboração de um material didático próprio em paiter suruí. “O prêmio vai ajudar a transformar esse material em referência e levá-lo a outras escolas, outras etnias e comunidades quilombolas. É um grande sonho se realizando”, agradeceu Elisângela, não esquecendo seus alunos. “Sinto a presença de cada um de vocês aqui.”

Considerando sua turma multisseriada, Elisângela organizou o projeto para que todos pudessem trabalhar de acordo com seus saberes, potencializando as possibilidades dos alunos mais velhos e dando espaço para a ação dos mais novos.

“Estou muito feliz de poder mostrar essa diversidade que o Brasil tem, de várias línguas, em vários contextos, como o caso do meu trabalho na alfabetização, que precisa ser muito bem elaborado. É preciso ter uma educação específica, voltada para os indígenas, e foi isso o que eu tentei fazer através do meu projeto, que foi premiado. Nós podemos fazer a diferença e isso precisa ser mostrado. Estou muito feliz e quero agradecer aos Paiter Suruí por sempre me apoiarem”, concluiu a professora.

Assista o vídeo abaixo, preparado pela Fundação Victor Civita, e saiba mais sobre o trabalho realizado por Elisângela a partir do projeto Mamug Koe Ixo Tig:

Publicado no Jornal Missão Jovem de Janeiro/Fevereiro de 2018

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