Epifania

Mateus 2, 1-12

B
elém é um vilarejo situado a 8 km ao sul de Jerusalém, na região onde se instalaram os descendentes da tribo de Judá (Js 15, 59). Mateus não especifica a data de nascimento de Jesus, mas coloca-a no período de Herodes, que historicamente reinou de 40 a 4 a.C.
Herodes I, “o grande”, foi um rei idumeuDe uma região ao sul da Judeia devasso e sanguinário, sob a dependência direta do imperador romano Augusto. A chegada dos sábiosMagos = classe sacerdotal persa dedicada ao estudo das estrelas tem o caráter de uma lenda, mas é reconstruída sob uma sólida base histórica. Em todos os países que fazem fronteira com a Palestina havia a convicção de que todo menino nasce em uma conjuntura astral.
Mateus, vivendo na cultura judaica do tempo, que misturava credos astrológicos absorvidos dos vizinhos, com as espera do Messias, inspira-se nestes magos para sublinhar o nascimento de Jesus: o acontecimento mais importante da história humana.

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 Os sábios chegaram a Jerusalém perguntando pelo nascimento do ‘rei dos judeus’. Aliás, Jesus é assim definido poucas vezes no Evangelho (Mt 27, 11). Aqui é colocado propositalmente em contraposição ao título de ‘rei’ concedido pelos conquistadores romanos ao tirano Herodes. A pergunta agita os habitantes de Jerusalém, que esperavam por anos a vinda de um Messias-político e, Herodes, poderoso e sem escrúpulos, temia o nascimento de um rival ao trono. Alarmado, reuniu rapidamente todos os seus conselheiros astrólogos para saber ao certo o local do nascimento e, mais à frente, no Evangelho, se saberá o porquê. A resposta não foi inventada posteriormente pelos cristãos, mas está escrita no livro bíblico de Miqueias (5, 1). Mas não basta para dissipar as dúvidas de Herodes, que, como estrangeiro, não conhecia a bíblia, por isso convocou secretamente os sábios vindos do oriente.
Estes homens, guiados pela estrela até Belem, são vistos por Mateus como figuras simbólicas, que, mesmo pagãs e não conhecendo o Antigo Testamento, reconhecem a grandeza daquele menino humilde sem se escandalizarem. Pelo contrário, cheios de alegria o honram como um rei, oferecendo-lhe três típicos dons orientais: ouro, incenso e mirra. É este o sentido da EpifaniaPalavra grega que significa ‘manifestação’ de Jesus. Diante do Deus dos cristãos, Mateus atesta que caem as pretensões dos judeus, que se consideravam o único povo eleito. Jesus oferece a salvação a todos.
Até mesmo a hipocrisia e a intenção calculista de Herodes falharam e os sábios, inspirados por Deus, mudam de ideia e retornam ao Oriente sem passar por Jerusalém.
Publicado no Jornal Missão Jovem de dezembro 2017
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