Especialista dá pistas de como deve ser a educação do futuro

educação do futuro

(Foto: Freepik)

O professor José Manuel Moran é um entusiasta da necessidade de mudanças no modelo tradicional de ensino e aponta alguns caminhos que os educadores podem percorrer para tornar o processo de aprendizagem mais significativo ao aluno

 

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iante de um mundo cada vez mais conectado, onde os alunos têm amplo acesso a conteúdos das mais diversas fontes, qual deve ser a postura do professor? Uma das possibilidades de resposta é dada por José Manuel Moran, professor fundador da Escola do Futuro, da Universidade de São Paulo (USP), e autor do livro “A Educação que Desejamos”. Segundo ele, o professor tem o papel de curador, cuja função é escolher, entre tantas opções disponíveis, aquelas que são mais relevantes e apresentá-las aos alunos de forma sugestiva.

“O professor deve empoderar o aluno criticamente, para que ele não se satisfaça com a primeira resposta encontrada no Google, pois assim o jovem passa a entender que existem outras opções mais interessantes e aprofundadas, disponíveis na rede. Durante muito tempo, os alunos foram acostumados a serem ouvintes e a deixar que o professor tomasse as decisões por eles, entregando-lhes um roteiro fechado para o estudo e a execução de atividades e tarefas. Nesta concepção emancipatória, o docente deixa de exercer o papel clássico do professor que explica tudo, pois a explicação para o básico já está disponível online. Então, ele tem de extrapolar, incentivar a pesquisa, a prática, contextualizar, entrar em detalhes daquilo que é mais avançado, que o aluno não consegue captar sozinho”, explicou Moran em uma visita à PUC de Minas Gerais.

Educação - encontro de alunos

Professor precisa trazer para sala de aula situações reais: relacionar o conteúdo ao cotidiano do aluno

Professor deve ser um provocador

Para estimular essa atitude, conforme o especialista, que é formado em Psicologia, doutor em Comunicação e referência mundial na discussão acerca da necessidade de mudanças no modelo tradicional de ensino, é importante que o professor traga para a sala de aula situações reais, ou simulações de situações reais, em que ele relacione sua disciplina com o cotidiano, com a comunidade, valendo-se de ferramentas interativas, como os jogos, por exemplo.

“É fundamental que, neste percurso, o professor provoque o aluno, faça experiências, promova reflexões. Além disso, o equilíbrio entre os três pilares do aprendizado, o individual, o grupal e o tutorial, certamente proporcionará ao aluno outra experiência de aprendizado, muito mais efetiva”, ressaltou.

Outro ponto abordado por Moran é a respeito da aplicação das provas, na tentativa de pensar em um novo modelo de avaliação. Ele diz: “A explicação sobre um projeto desenvolvido pelo aluno ou o compartilhamento e o debate com os colegas, por exemplo, podem conter elementos muito mais substanciais para a avaliação do que a prova. Ela não precisa mais ser o grande critério de avaliação, como nós sempre fizemos. Reconheço que é um paradigma um pouco diferente do que estamos acostumados, mas agrega mais valor ao aprendizado”.

Por fim, ele aponta o uso de ferramentas digitais como opções que devem interessar verdadeiramente aos educadores, pois são alternativas que podem agregar bastante em sala de aula. “A tecnologia está aí, implicada na vida das pessoas. Então, nada mais natural do que integrá-la ao que fazemos, usando-a para aprimorar a experiência e o aprendizado do aluno”, concluiu.

Metodologias ativas

Referência em estudos sobre Metodologias Ativas, o professor Moran defende que a aula deve ser um espaço vivo, de trocas, de resultados e de sínteses. Assista a uma entrevista em que ele fala mais sobre o assunto:

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