Especialistas falam do poder da criatividade em sala de aula

Trabalhar a criatividade no contexto educacional é imprescindível para a construção de novas formas de ensinar e aprender

 

À
luz do ambiente educativo, a criatividade deve ser entendida como um bem social que demanda pessoas com atitudes conscientes, tendo em vista sempre algo novo para gerar ideias e possibilidades de aprender e ensinar. Essa é a conclusão de um artigo publicado recentemente por duas pesquisadoras da área: Maria José da Silva Morais, mestre em Educação pela Universidade Federal de Tocantins, e Maria José do Pinho, doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) e pós-doutora pela Universidade de Algarve, em Portugal.

Publicado na revista acadêmica Contrapontos (periódico do programa de pós-graduação em Educação da Universidade do Vale do Itajaí – Univali), o artigo se debruça em vários estudos já realizados sobre a importância da criatividade na formação dos professores e, consequentemente, de seus alunos.

A partir da reflexão de diversas obras sobre o assunto, as autoras explicam que a criatividade precisa ser trabalhada primeiramente pelos professores para haver transformações significativas no contexto educacional. Essa concepção implica constantes mudanças no pensar, no dimensionar, no compreender e no interpretar a realidade em que se vive de forma tanto individual quanto coletiva.

“O ato criativo se inicia com as experiências de cada ser humano e com sua capacidade de readaptá-las, recriá-las e transformá-las em novas ideias e, sobretudo, de ser capaz de ir além delas. A partir desse pressuposto, encaminha-se a discussão de criatividade no âmbito educacional como percurso da ressignificação e da construção do conhecimento”, afirmam.

Ousadia para pensar, agir e decidir

A contemporaneidade é marcada por grandes mudanças científicas e tecnológicas que afetam a dimensão social, ambiental, econômica e cultural. Diante desse cenário, as autoras ressaltam que é urgente a inserção de uma formação contínua de professores pautada na criatividade, visto que ela modifica algo nas pessoas ou no que elas realizam.

“Entende-se que a criatividade abrange todos os âmbitos da atividade humana, além da constante necessidade do ser humano de criar e idealizar algo diferente para realizar ações cotidianas e mais complexas, bem como de propiciar mudanças no aprender e no fazer”, explicam. Entretanto, as pesquisadoras fazem um alerta importante:

“No âmbito da criatividade não é suficiente apenas ‘saber fazer’, mas é imprescindível sentir, se emocionar, se entusiasmar, transformar e modificar o meio ao deixar sua marca nos outros”.

Elas evidenciam que isso implica uma percepção apurada da realidade ou dos problemas do cotidiano, pois a criatividade é uma ação intrinsecamente humana, e somente o sujeito é capaz de transformar as adversidades em ações criativas.

Busca por valores humanos

Um ponto chave abordado no artigo diz respeito à busca por valores humanos no contexto educacional. Contudo, elas apontam que pouco se estimula nos alunos o pensar criativo, cujas características são: persistência, autoconfiança, independência, disposição e capacidade de pensar novas ações para os problemas.

Para mudar essa realidade, as autoras salientam que é inadiável pensar a formação como geradora de competências para a vida e, principalmente, como catalisadora da tomada de consciência e da possibilidade de dar sentido ao que se aprende. “Essas são características do professor criativo, que transcende e transforma a realidade dando novos sentidos aos contextos e à comunidade educativa em que atua”, concluem.

Clique aqui e leia o artigo na íntegra
Concepções de criatividade no contexto educacional: um novo olhar formativo (por Maria José da Silva Morais e Maria José do Pinho)
Revista Contrapontos – Univali
Volume 17 – nº 2
(abril/junho de 2017)

Para saber mais

Durante uma palestra no TED, o consultor internacional em educação Ken Robinson defendeu de maneira divertida e profunda a criação de um sistema educacional que estimula a criatividade, ao invés de enfraquecê-la. Confira no vídeo abaixo:

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