Estudo aponta que a democracia está regredindo no mundo todo

Conforme indicadores, menos de 5% da população mundial vive atualmente em uma “democracia plena”

 

A
décima edição do Índice de Democracia, elaborado anualmente pelo grupo de dados da revista britânica The Economist, concluiu que menos de 5% da população mundial vive atualmente em uma “democracia plena”. Isso significa que quase um terço vive sob o domínio autoritário.

Repressões contra protestos pacíficos é uma das violações dos direitos civis da população

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Conforme o levantamento, divulgado nesta semana, 89 dos 167 países avaliados em 2017 receberam pontos mais baixos do que no ano anterior. Com notas de 0 a 10, houve um declínio na média global, que passou de 5,52 em 2016  para 5,48 no ano passado. O nível é o pior desde 2010, quando esteve em 5,46. Para essas pontuações, o estudo compreende 60 indicadores em cinco grandes categorias: processo eleitoral e pluralismo, funcionamento do governo, participação política, cultura política democrática e liberdade civil.

A Noruega continua a ser o país mais democrático do ranking, uma posição que ocupa desde 2010. Já o Brasil aparece na lista de “democracias defeituosas” e com a menor pontuação desde 2006.

O grande destaque de 2017 é a Gâmbia. Após 22 anos de governo de Yahya Jammeh, um ditador que reprimiu as liberdades políticas, os poderes centralizados dentro de seu grupo étnico e usou o exército para incutir o medo, o país desfrutou de sua primeira transferência de poder democrático no ano passado. Como resultado, seu índice de democracia melhorou de 2.91, classificado como um “regime autoritário”, para 4.06, um “regime híbrido”.

Recessão democrática

Uma década passou desde que o cientista político Larry Diamond, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, apresentou o conceito de “recessão democrática” global. Segundo o pesquisador norte-americano, embora muito se fale em progresso, nesses últimos 10 anos muitos países diminuíram a liberdade e os direitos políticos e civis da população.
Quando veio ao Brasil lançar a 2ª edição do livro Coletânea da Democracia, no início do ano passado, Diamond declarou que os fracassos democráticos estão chamando atenção porque acontecem em nações grandes e estratégicas. Em entrevista ao jornal Gazeta do Povo, Diamond afirmou que a democracia exige o “encorajamento do autodomínio”, o que implica respeitar pontos de vista diferentes.

“Isso é o mais difícil e importante de se fazer na era do Facebook. Não é uma tarefa impossível, mas existe um papel fundamental das escolas e outras organizações públicas”, disse o pesquisador, explicando que o objetivo de uma democracia saudável não deve ser reprimir desacordos e diferenças, mas promover e estruturar um diálogo e um debate civilizado. “E civilizado significa respeitável, tolerante, decente, mas nunca sem desacordos. Significa ouvir o outro lado e até reconhecer sua legitimidade e autenticidade”, completou.

 

 

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