Exposição itinerante propõe novo olhar sobre os pássaros

exposição pássaros

Mostra apresenta imagens de diferentes espécies | Fotos: Francisco Luiz Vicentini Neto

A criação é um dom divino. Protegê-la é nosso dever e revela a nossa cultura. Com este objetivo apresentamos a Exposição Itinerante “Irmãos Pássaros” – fotografias e desenhos que retratam estes habitantes da Casa Comum -, iniciada em setembro na Igreja Nossa Senhora das Graças, no bairro Jabaquara,
em São Paulo, com apoio da Pastoral da Educação.

 

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o momento em que a Campanha da Fraternidade nos chama a olhar para os biomas brasileiros, o fotógrafo e passarinheiro Francisco Luiz Vicentini Neto propõe a apreciação das belas aves correspondentes a alguns destes ecossistemas.

Por sua vez, o artista Novaes cria desenhos estilizados e afirma que “pássaros podem ser criados com pouquíssimos traços”. Sua obra também retrata a presença do patrono da atitude ecológica, São Francisco de Assis, que: “‘enchendo-se da maior ternura ao considerar a origem comum de todas as coisas, dava a todas as criaturas – por mais desprezíveis que parecessem – o doce nome de irmãos e irmãs. (…). Se nos aproximarmos da natureza e do meio ambiente sem esta abertura para a admiração e o encanto, se deixarmos de falar a língua da fraternidade e da beleza da nossa relação com o mundo, então nossas atitudes serão as do dominador, do consumidor ou de um mero explorador dos recursos naturais, incapaz de pôr um limite aos seus interesses imediatos” (Papa Francisco).

ilustração de sao francisco

“Irmãos Pássaros”: o título da exposição faz referência à forma como São Francisco se dirigia às aves

O estudo que sustenta a construção da Exposição Itinerante “Irmãos Pássaros” fundamenta-se na Encíclica Laudato Si – Sobre o Cuidado com a Casa Comum, escrita pelo papa Francisco em 2015.  Diz o Papa: “Esta irmã clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou. Crescemos pensando que éramos seus proprietários e dominadores, autorizados a saqueá-la. A violência, que está no coração humano ferido pelo pecado, vislumbra-se nos sintomas de doença que notamos no solo, na água, no ar e nos seres vivos. Por isso, entre os pobres mais abandonados e maltratados, conta-se a nossa terra oprimida e devastada, que está “gemendo como que em dores de parto” (Rm 8,22). Esquecemo-nos de que nós mesmos somos terra (cf. Gn 2,7). O nosso corpo é constituído pelos elementos do planeta; o seu ar permite-nos respirar, e a sua água vivifica-nos e restaura-nos.”

A partir da percepção clara de que somos terra e de que estamos intimamente ligados a toda devastação, apenas a compaixão e uma nova ética que extrapole qualquer fronteira que nos separa, nos fragmenta, nos disjunta, nos incentiva a viver uma inteligência cega (Edgar Morin), poderá fazer com que cada um de nós assuma o lugar de ação, de propósito, de real alinhamento com uma tarefa de responsabilidade coletiva, para cuidarmos da Casa Comum.

Com tudo isto, por trás de uma modesta exposição gráfica e fotográfica, há uma rede de relações pautadas por compreensões dos âmbitos da educação, da comunicação, da arte, da ecologia, da psicologia e da fé. Um constructo de interligação de saberes, onde cada um, na sua singularidade, colabora com o que lhe compete para compor este campo de diálogo sobre a “educação para a aliança entre a humanidade e o ambiente” (Laudato Si. 220).

Ao amadurecermos a reflexão sobre a razão dos pássaros serem os porta-vozes da exposição, a curadora Tânia Schandert expressou: “É como se o canto dos pássaros, principalmente na cidade, fosse um vestígio, um sinal do paraíso, da beleza. A resistência dos pássaros em aproveitar cada pedacinho de verde se apoiando nestes pequenos oásis, mostra que é possível renascer do pó, que basta uma brecha para tudo se transformar, que é difícil eliminar a beleza, porque ela não nos deixa!”.

Que em “asas de águia possamos ser livres” das tristes ameaças do período antropoceno. Que em asas de beija-flor possamos nos responsabilizar pelo cuidado da Mãe Terra. Que em asas de sabiá laranjeira possamos ouvir a sinfonia harmônica da existência. Que em tantas asas, esta exposição possa pousar em muitos lugares, apenas como um pretexto para sermos mais irmãos. Boa passarinhada!

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Saiba mais sobre o itinerário da exposição:
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https://www.facebook.com/irmaospassaros/

 

Publicado na revista Mundo e Missão de outubro de 2017 – Ed. 216
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