Fé e política

A contribuição da fé cristã para a gestão da cidade terrena

por padre Francisco Sorrentino, PIME


No decorrer do tempo, a relação entre fé e política configurou-se de modo diferente. Originou-se uma relação variável entre a Igreja e o Estado: em alguns períodos aconteceu uma substituição; em outros se procedeu a uma submissão; enfim, houve, também, uma convivência, nem sempre pacífica. Independentemente de como pode ser julgada tal relação, é indiscutível que os cristãos, com o olhar dirigido à Cidade celeste, sentiram-se sempre chamados a contribuir na edificação da cidade terrena. Atualmente, porém, o panorama é outro. 

O templo e a praça

Nota-se, com tristeza, um aumento de desinteresse dos cristãos pela política. Com certeza, entre outros fatores, o mau exemplo de corrupção na administração da coisa pública contribui para essa desafeição. Todavia, nada justifica desertar a praça e refugiar-se no templo. Por um lado, o que se escuta e se reza no templo deve iluminar o que se debate na praça; por outro, o que se discute na praça necessita da participação dos que frequentam o templo. Em outras palavras, para os cristãos é ilegítima qualquer exoneração no discernimento de políticas públicas que visem o respeito à dignidade humana e a construção do bem comum, pois “o querigma possui um conteúdo inevitavelmente social” (Evangelii Gaudium, 177). 

A mais alta forma da caridade

No encontro com as Comunidades de Vida Cristã, em 2015, o Papa Francisco afirmou que, para um católico, o compromisso com a política não é opcional. Frisou que “a política é a forma mais alta da caridade” (Paulo VI) e comporta até sacrifícios, pois se trata de “promover o bem comum, sem te deixares corromper. Buscar o bem comum, pensando nos modos mais úteis para isto, nos instrumentos mais profícuos. Procurar o bem comum, trabalhando nas realidades de menor importância, que contam pouco”. Naturalmente, os cristãos não têm todas as respostas aos problemas do mundo urbano. Eles contribuem com as convicções baseadas no Evangelho, oferecendo critérios a serem transformados em ações políticas. 

Formação política

A evangelização da cidade deve poder contar com uma boa formação política das comunidades cristãs, para que se conscientizem da responsabilidade de serem “sal da terra e luz do mundo” (cf. Mt 5,13-16), tanto pela promoção da justiça e da paz quanto pela presença ativa nos organismos de participação do território. A formação política, abundantemente fundamentada na Sagrada Escritura e no Magistério da Igreja, sobretudo na Doutrina Social, torna-se tarefa urgente diante de um cenário urbano sempre mais individualista, cujas problemáticas são, com frequência, abordadas mais na perspectiva dos interesses pessoais ou de uma parte do que na busca do bem comum.

texto publicado na secção “Evangelho na cidade” na edição Setembro da revista Mundo e Missão. Gostou da matéria? Seja um nosso assinante


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