Francisco e o chamado à santidade

papa Francisco

“Não pensemos apenas em quantos já estão beatificados ou canonizados. O Espírito Santo derrama a santidade, por toda a parte, no santo povo fiel de Deus”, escreve o papa na nova exortação apostólica

Gaudete et Exsultate, em português “Alegrai-vos e Exultai”, é a mais recente Exortação Apostólica do papa Francisco. Divulgada no dia 9 de abril, ela é como uma sineta na mão do papa chamando todos a serem santos. Uma santidade que dispensa beatificação e canonização, mas que brota dos pais que criam os filhos com amor, que lutam pelo pão de cada dia. Uma santidade “ao pé da porta” das escolas, das lavouras e das fábricas, dos escritórios e consultórios, à beira do fogão e nas camas de hospitais.

Sim, os Santos e as Santas de altar e devoção nos encorajam e nos acompanham. Entretanto, também eles haviam experimentado a noite escura na alma, fraquejavam. Muitos abandonaram as rédeas a um corpo inclinado a instintos e a paixões epidérmicas. Mas todos venceram! É nisto que a Exortação insiste: cada qual, a seu modo, para ser santo precisa simplesmente vivenciar as
bem-aventuranças (Mt 5,3-12; Lc 6,20-23).

Em cada invocação no Sermão da Montanha, Jesus afirmava a santidade como a meta para todos. E os discípulos, fazendo-se pobres em espírito, mansos, misericordiosos, famintos de justiça, puros de coração, pacificadores, levavam para o seu dia a dia o próprio rosto do Senhor.

Ora, diz a Exortação, “o cristianismo está feito principalmente para ser praticado e, se é também objeto de reflexão, isso só tem valor quando nos ajuda a viver o Evangelho na vida diária” (109).

Quem procura viver o Evangelho nunca tem “um espírito retraído, tristonho, amargo, melancólico ou um perfil sumido, sem energia” (122). E aqui lembro que Maria, ao descobrir a novidade trazida por Jesus, cantava: “o meu espírito se alegra no Senhor”. Portanto, “alegrai-vos e exultai!” (Mt 5, 12).

Se o caminho da santidade é aquela fonte de paz e alegria que só o Espírito nos dá, é, ao mesmo tempo, a exigência da vigilância, das “lâmpadas acesas”, da prudência. Mais do que nunca o mercado, as ideologias de ocasião, o consumo além da conta e o individualismo narcisista são “leões que rugem, procurando a quem devorar”, conforme dizia Pedro na sua primeira Epístola.

E o papa conclui sua longa Exortação pedindo que a Igreja se dedique a promover e estimular a santidade. “Assim, compartilharemos uma felicidade que o mundo não poderá nos tirar” (177).
Com suas reportagens missionárias e seu apelo por um planeta que se torne a Casa Comum para todos, nos cinco continentes, Mundo e Missão se une à voz do papa e oferece a você, amigo e amiga de todas as horas, ao menos uma réstia de luz no caminho da santidade. Aquela santidade cujos ecos provêm do Sermão da Montanha.


Clique aqui e leia na íntegra a nova exortação Gaudete et Exsultate escrita pelo papa Francisco

 

Editorial publicado na revista Mundo e Missão de junho/julho de 2018 – Ed. 223

 

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