Garoto vende sabonetes para ajudar desabrigados

Após ficar desabrigado quando ainda era uma criança, jovem americano se reergueu e começou a vender sabonetes para ajudar os sem-teto

 

Q
uando Donovan Smith tinha 8 anos, ele e sua mãe ficaram desabrigados. Enquanto lutavam para ter um teto novamente, viveram em abrigos de Albuquerque, a cidade mais populosa do estado do Novo México, no sul dos Estados Unidos. A “batalha” de não ter onde morar durou mais de um ano. Por fim, eles conseguiram se reerguer, mas nunca esqueceram a gentileza que a comunidade lhes ofereceu.

Casey Smith, mãe do garoto, não tinha uma base familiar para se apoiar. E, como mãe solteira, ela só contava com a atenção de desconhecidos que se comoviam com a sua história. Em contrapartida, Casey e Donovan sempre tiveram tempo para olhar em volta e agradecer pela ajuda que receberam. Um dia gostariam de retribuir.

“As pessoas aqui estão lutando todos os dias para sobreviver. O Novo México é um dos estados mais pobres do país. Mas nossa comunidade se reuniu em torno de nós durante o tempo em que estávamos passando necessidade. Nós não poderíamos ter sobrevivido sem sua empatia e compaixão. Uma vez que estivéssemos de pé, não havia como não dar a volta e ajudar também”, conta Casey.

E foi exatamente isso que fizeram. A ideia veio da mãe, mas quem a colocou em prática foi o garoto: “Ela me apresentou a fabricação de sabão e me ensinou uma técnica avançada chamada ‘cold process’, que permite a criação de sabonetes em diversos tipos de formato”, relembra Donovan, que se tornou tão hábil no processo de fabricação que seu hobby logo se transformou em um pequeno negócio.

Um detalhe importante: Casey só teve a ideia de apresentar o “universo” dos sabonetes ao filho porque, devido à falta de moradia, ou seja, de um lugar fixo, o jovem ficou um período sem poder frequentar a escola. Segundo a mãe, ensinar Donovan a fabricar o produto foi uma forma criativa de incorporar conceitos de matemática, ciências e química à rotina do garoto.

fabricação de sabonetes

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Assim, aos 11 anos, ele se tornou o mais jovem fornecedor de um mercado local de produtos artesanais, além de começar a vender pela internet, em uma plataforma que tem como foco itens feitos a mão. Tão logo o dinheiro começou a entrar, o menino passou a doar sabonetes, bem como uma grande porcentagem de cada venda para as organizações que ajudaram a ele e sua mãe no período de crise. Desde então, Donovan doou milhares de dólares para abrigos e organizações que cuidam dos sem-teto, bem como para os esforços de socorro das vítimas do furacão Harvey, que atingiu o Texas em 2017.

Naquele mesmo ano, o trabalho de Donovan chamou a atenção de um programa de TV, que o ajudou de forma surpreendente: equipou e deu a ele uma loja física no centro de Albuquerque, chamada Donovan Descovers. Como precisou contratar funcionários, ele deu preferência às pessoas atendidas nos abrigos.

A história repercutiu, o negócio cresceu. Quando as pessoas ouviram falar da missão de Donovan, elas queriam fazer mais do que apenas comprar seus sabonetes. Então o jovem, atualmente com 16 anos, criou uma “vaquinha” online e tem conseguido arrecadar doações para manter seu negócio e continuar ajudando pessoas desabrigadas.

criação de sabonetes

Além dos prêmios que já recebeu, chegou pelo correio em 2016 uma carta do então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Assinada à mão, a carta elogiava Donavan por seu trabalho de caridade.

“Espero que você se orgulhe de tudo o que realizou. Ao colocar seus melhores esforços em tudo o que faz e trabalhando em torno de um propósito comum, você pode ajudar a moldar o mundo que compartilhamos e a elevar a vida dos outros. Jovens como você são os líderes de amanhã e vocês me dão uma grande esperança para o futuro ”, escreveu Obama.

A mãe do menino demonstra gratidão diante da postura cidadã que ele tem adotado desde quando deu os primeiros passos como empreendedor: “Ele percebe a responsabilidade que tem e sabe como ajudar as pessoas. Temos consciência de que os sabonetes não vão acabar com a falta de moradia, mas esse negócio tem causado um grande impacto social: devolve às pessoas a sua dignidade e torna a nossa comunidade mais unida”.

 

Publicado no jornal Missão Jovem de junho/julho de 2019 – edição nº 350

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