Histórias dos Santos

Apocalipse 19, 6-9

E
ncontrei Ramiro em um vilarejo mexicano. Ele me chamou e disse: “Sou um catequista. Você sabe, padre, este país está despedaçado pelas lutas entre famílias e pela máfia que mata. Eu decidi ficar fora, mas eles fazem de tudo para me envolver. Esconderam armas em minha casa, ameaçaram matar meus familiares. Tenho medo! Deixo com você esta folha com o nome daqueles que quero bem e estão em perigo. Reze por eles, pois são indefesos. Não me tornarei jamais um assassino”. Eram trinta e dois nomes.

Não vi mais Ramiro, mas penso nele frequentemente como um raminho seco, preso a um vórtice de vento, água e lama. Quem se preocupa com este raminho?

Lembro de Rita. Eu era pequeno, e ela sempre estava em uma cadeira de rodas. Minha mãe me levava para visitá-la na salinha em que vivia e trabalhava, bordando toalhas e fazendo ajustes em roupas. Uma salinha cheia de santinhos e imagens, que não me diziam nada, não me davam nada, não me faziam brincar. Mas, mesmo assim eu ia de boa vontade até ela. Por quê?

Quem sabe era por causa de seu sorriso. Falava de doentes, de pobres, de fadigas… histórias tristes, mas as contava com doçura, como parte da vida que precisava ser acolhida e partilhada sem que se fizesse drama, somente amor paciente.

Geneviève é uma velhinha negra e magricela, descendente de africanos, que visitamos ao longo do rio amazonas. Ela sai e se senta comodamente em uma cadeira de vime. “Esta mulher – me diz o padre – é mãe de pelo menos cinquenta jovens. É viúva e seus filhos já estão todos crescidos. Mas ela hospeda em sua casa estudantes e trabalhadores vindos da zona rural. Considera todos seus filhos e quer bem a todos”. E ela diz sorrindo: “Deus me deu tanto amor e somente minha família não basta para este amor todo, então devo dá-lo também aos outros”.

“Ouvi então como um ruído de imensa multidão, como um ruído de oceanos, e como o estrondo de violentos trovões. Eles diziam: Aleluia! Alegremo-nos, exultemos e demos glória a ele, porque chegaram as núpcias do Cordeiro. […]. Um anjo me disse: Escreve! Felizes os convidados ao banquete das núpcias do Cordeiro!” (Ap 19, 6-9). O Livro do Apocalipse fala frequentemente de Cristo como “Cordeiro Imolado” que deu sua vida sobre a Cruz, frágil e derrotado, mas ressuscitou. Um Cordeiro Triunfante no céu, onde se organiza uma grande festa para o seu matrimônio. Ramiro, Rita, Geneviève e tantos outros são a família do Cordeiro e, a mim, agrada imaginá-los juntos enquanto cantam, contentes e alegres. São “uma multidão imensa”! O canto deles é como o “fragor das grandes águas”: uma cascata de música e dança. Rita também dança, deixando sua cadeira de rodas. É esta a esperança que os manteve no bem, que os tornou fortes nas dificuldades.

O mal, a prepotência e a avidez isolam, deixando somente desolação. O Apocalipse descreve o grande pranto desesperado daqueles que eram ricos, fortes, seguros de si (Ap 18, 16-17).

Publicado no Jornal Missão Jovem de Novembro de 2017

2 Comentários

  • Paulo Jacintho Publicado em 22 de janeiro de 2018 11:37

    Bom dia!
    Como faço para dquirir a revista “Coleção Espiritualidade”, com biografia dos santos mais populares da História da Igreja? Estou interessado em especial Santa Rita e Santa Luzia, 100 edições de cada.

    • Editora Mundo e Missão Publicado em 20 de fevereiro de 2018 13:26

      Boa tarde, encaminho o seu pedido para o setor comercial. Logo um atendente entrará em contato e desculpe a demora!

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