Ilustrações: traços que desvendam a alma

Ilustrador

Os desenhos são, desde a antiguidade, uma importante forma de expressão. Antes escondidos em cavernas rupestres,
hoje ganham cada vez mais expoentes via redes sociais

O
desenho é uma das maneiras mais eficientes de comunicação, afirmam muitos pesquisadores que se debruçaram sobre o tema. A pedagoga Karina Possa, por exemplo, autora de um artigo que aborda justamente o desenho como linguagem e expressão da subjetividade, diz que desde os nossos ancestrais essa técnica já era utilizada com eficácia, fosse para se comunicar e registrar fatos ocorridos, ou ainda exercer alguma influência sobre os inimigos. “Muitos são os estudos apontando que, antes mesmo do surgimento da escrita e da oralidade, o esboço gráfico já era desenvolvido como uma importante forma de comunicação”, explica.

Segundo ela, os desenhos podem ser inspirados por circunstâncias não previsíveis, mas frequentemente estão relacionados a acontecimentos próximos ou a circunstâncias similares às experiências já vividas. Isso significa que, muitas vezes, desenhar possibilita um encontro com a subjetividade e, por isso, deve ser incentivado desde a infância. “O objetivo não deve ser a formação de desenhistas profissionais e de especialistas, mas se trata apenas de dar a cada um os meios de expressar-se”, ressalta.

Além disso, o desenho permite desenvolver o senso de observação, os mínimos detalhes, a diversidade de cores, formas, texturas, e, também, entrar em contato com uma grande variedade de materiais, tais como aquarela, guache, lápis de cor, giz, entre outros.

Desafio

“Mas eu não sei desenhar”, diz quase todo mundo que se vê diante da tarefa. Ocorre que, exceto por alguma dificuldade motora, todos sabemos segurar um lápis e arriscar alguns traços. Você pode até não gostar do resultado, mas isso também é desenho. Embora haja discussões estéticas, a visão do “bonito versus feio” ou o até mesmo o medo de deixar transparecer a intimidade acabam por barrar o aperfeiçoamento das diferentes técnicas de desenho.

Para a artista plástica Edith Derdyk, a concepção de desenho normalmente desenvolvida nas escolas é herança de um modelo neoclássico – em que ele é visto como cópia e duplicação do real, ao invés de refletir a imaginação. “É preciso explorar o potencial dele como linguagem expressiva, despertando a sensibilidade dos estudantes por meio da conexão entre o corpo, os instrumentos e as superfícies, para que entendam que o desenho nasce das relações entre a observação do mundo, a memória e a imaginação”, escreve em seu livro Formas de Pensar o Desenho (Editora Zouk).

#ILUSTRAGRAM

Engana-se quem pensa que desenhar é “coisa de criança”. O número de desenhistas e ilustradores com perfis no Instagram é gigante. Quer comprovar? Digita #ilustragram no campo de buscas: são mais de 62 mil postagens. A maioria feita por jovens. Veja alguns a seguir:

Diana Pedott
Florigrafia
Rodrigo FalcoLinoca Souza
Alef
Nanaths

Publicado no jornal Transcender de abril/maio de 2018 – Edição nº 45

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