A imagem de Deus como mulher-mãe

 Aprendendo com as mulheres da Bíblia (9ª parte)

 

Encarte Catequético

N
os encontros anteriores apresentamos vários rostos de mulheres que deixaram seu testemunho de fé em Deus e de amor ao próximo. Agiram sob a luz e a força do Espírito Santo, não se submetendo ao espírito de dominação dos poderosos. As que foram lembradas aqui são todas do Primeiro Testamento. No próximo encontro concluiremos esta série conversando com Maria, mãe de Jesus.

Deus-Mãe

No encontro de hoje queremos refletir sobre uma das inspirações mais profundas: refere-se à concepção de Deus como Mulher-Mãe. Não são muitos os textos com esta característica. Acontece que os escritos bíblicos emergem de uma cultura predominantemente patriarcal e masculina. No entanto, encontramos citações que se referem a Deus usando a linguagem do parto, do leite materno, do constante amor de mãe… Encontramos também a simbologia da mãe-pássaro que abre suas asas protetoras sobre seus filhotes.

Havia os que levantavam dúvidas a respeito da presença divina. Diziam: “O Senhor me abandonou, o Senhor me esqueceu!”.  Deus responde deste modo: “Por acaso uma mulher se esquecerá de sua criancinha de peito? Não se compadecerá ela do filho do seu ventre? Ainda que as mulheres se esquecessem, eu não me esquecerei de ti” (Is 49,14-15).

Sob as “asas divinas”

O modelo de mãe atribuído a Deus evoca o seu permanente e imensurável amor para com suas criaturas. É o amor que gera e regenera a vida. Defende e protege. Com imagens extraídas do mundo animal, a Bíblia expressa o cuidado de Deus para com o seu povo: “Como a águia que vela por seu ninho e revoa por cima dos filhotes, ele o tomou, estendendo as suas asas, e o carregou em cima de suas penas (Dt 32,11).

Jesus utiliza para si mesmo esta imagem materna ao lamentar-se sobre Jerusalém por ter se tornado uma cidade opressora: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes eu quis reunir os teus filhos, como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das suas asas, e não o quiseste!” (Mt 23,37; Lc 13,34).

Aprendendo com Deus-Mãe

Contemplar a Deus como Mulher-Mãe ajuda-nos a viver na convicção profunda de seu amor, em qualquer lugar e em qualquer circunstância. Uma mãe nunca esquece os seus filhos. Ajuda-nos a compreender os sentimentos de Deus pelo ser humano e por todas as suas criaturas.  Ajuda-nos também a compreender qual deve ser a nossa relação com o mundo. Podemos, então, viver em constante amor-doação, na defesa intransigente da vida e da dignidade de todas as pessoas e do meio ambiente, pois o amor a Deus é inseparável do amor aos outros.

Para dialogar e agir

  1. Ler e contar com as próprias palavras: Is 49,14-15 e Mt 23,37-39.
  2. Que sentimentos provocam em nós estes textos?
  • Concluir com preces espontâneas e o salmo 131.

Publicado no Jornal Missão Jovem de Novembro de 2017

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