Índia: Entre rendas e leitos hospitalares

A maioria dos espaços hospitalares são de iniciativa privada e a falta de um plano de saúde ainda agrava a situação. Numa entrevista concedida à redação de Mundo e Missão, padre Mateus, missionário do PIME, relata os desafios que o subcontinente indiano enfrenta no tempo da pandemia.

habitantes em fuga das cidades após a declaração do “lockdown” nacional

por redação Mundo e Missão


A Índia faz parte do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), um agrupamento de países de mercado emergente em relação ao seu desenvolvimento econômico. Semelhante ao Brasil, a Índia está em processo de desenvolvimento, porém, a desigualdade de renda entre os ricos e os pobres é mais acentuada. Essa desigualdade pode ser um fator decisivo para alguns dos 1,3 bilhão de habitantes no sub continente durante este tempo da pandemia do Coronavírus.

Trabalhadores informais

A maioria da sua população vive de trabalhos informais. Uma pessoa de baixa renda recebe aproximadamente até 15 mil rúpias (R$ 1.000,00) mensais, enquanto o custo diário de uma UTI, em média, é de cerca de 30.000 – 50.000 rúpias por dia (R$ 2.000 – R$ 3.500,00), isto é, o dobro ou o triplo, em um dia, da própria renda mensal. A incapacidade de pagar as contas pode levar à suspensão dos tratamentos médicos. Padre Mateus disse que, caso um membro da família esteja doente e deva pagar a UTI, a família acaba fazendo empréstimos, inclusive vendendo bens pessoais para custear a hospitalização do paciente.

A luta por leitos hospitalares

Além do número baixo de leitos em relação à população, é preciso também destacar que a maioria dos espaços hospitalares são de iniciativa privada, e a falta de um plano de saúde ainda agrava a situação, disse padre Mateus.

Conforme um artigo do site The Economic Times, a proporção de população-leito na Índia é de quase 1: 1.000. Com cerca de um milhão de leitos hospitalares e menos de 100.000 leitos de unidades de terapia intensiva (UTI), a Índia dificilmente está preparada para enfrentar o aumento de casos do Covid-19. O desafio está nos seguintes fatores: primeiro, os aspectos típicos da própria doença – sua propensão a produzir doenças graves naquelas com condições agressivas; segundo, o curso prolongado da doença, com 3-6 semanas para recuperação, e a necessidade de até 21 dias de uso do ventilador,  nos  casos críticos; terceiro, a sua natureza infecciosa, que impede o uso de leito da ala geral para a admissão hospitalar.

Medidas e Iniciativas

O governo indiano, percebendo a grande dificuldade de tratar os doentes, tomou também medidas necessárias para tentar conter, o mais rápido possível, que o vírus se espalhe. Isso inclui testes às pessoas nos aeroportos de voos internacionais, o “lockdown” nacional, quarentena muito rígida, de 21 dias, em que a repressão policial é forte para quem sai na rua. Para envolver a comunidade na luta contra o vírus, o Ministério da Saúde promove um concurso público para que as pessoas compartilhem suas soluções para ajudar a combater o Covid-19. As propostas de soluções enviadas serão avaliadas e as selecionadas serão adequadamente recompensadas com prêmios em dinheiro.

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