Jesus e Pilatos

27Mt 27,1-2.11-26

J
esus foi entregue ao tribunal judaico (o Sinédrio) e condenado pelos sacerdotes. A acusação era do tipo religioso: ele havia ameaçado destruir o templo que, sendo o lugar mais importante para os hebreus, a ameaça foi interpretada pelos sacerdotes como blasfêmia. Também o profeta Jeremias, que tinha preanunciado a destruição do templo pelos babilonenses (586 a. C.) foi conduzido pelos sacerdotes ao tribunal para que fosse condenado à morte (Jr 26,1ss). A blasfêmia, considerada um ato gravíssimo, tinha como punição a pena capital. O crime compreendia também a usurpação de atos divinos como, por exemplo, perdoar os pecados, ou declarar-se filho de Deus.
Jesus e Pilatos

Por que Jesus é conduzido a Pilatos?

Pilatos era o procurador da Judeia sob o imperador Tibério, e sucessor de Valério Grato. Em 35 d. C. foi destituído porque havia cruelmente perseguido os samaritanos.
Os judeus, sob o domínio romano, não tinham a liberdade de condenar a morte os acusados: a condenação era de exclusiva competência da autoridade romana. Naturalmente, para os romanos, a motivação religiosa não tinha valor algum, por isso os sacerdotes acusaram Jesus de lesa majestade: Jesus tinha declarado ser o rei dos judeus, enquanto o imperador era Tibério.
Pilatos, sendo um bom jurista, reconhece a inocência de Jesus, mas insiste em acusá-lo para caçoar dos hebreus: “És o rei dos judeus?”. Jesus recusa se defender; o seu destino é cumprido. “Tu o dizes”, é sua única resposta, que pode ser interpretada tanto negativa como positivamente.
Pilatos, que não era um homem de bem, nos é apresentado pelos evangelistas de uma forma não negativa, por algumas motivações:

  • A Igreja primitiva, por razões de polêmica anti judaica, pretendia que os culpados da morte de Jesus fossem somente os judeus.
  • Era preciso que a memória de Jesus fosse preservada: ele era inocente, e até mesmo os romanos haviam reconhecido. Isto tornava-se um estímulo para os mártires cristãos: eles também eram inocentes e injustamente condenados pela sua religião.
  • Em um mundo quase completamente governado pelos romanos, não era oportuno que o fundador da religião cristã tivesse sido condenado por eles ao infamante suplício da cruz.

A culpa, tanto dos sacerdotes quanto do povo judaico, fica ainda mais evidenciada quando a mulher de Pilatos – uma pagã – intercede em favor de Jesus.
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Quem era Barrabás?

Um delinquente político considerado culpado de assassinar um soldado romano em uma rebelião fracassada. Mais uma vez, sublinha-se a traição da multidão que pretende que o assassino seja imediatamente solto, enquanto o inocente seja crucificado. Pilatos, que temia uma rebelião popular, não tem coragem de soltar Jesus e faz o famoso gesto de lavar as mãos. Para os judeus era um gesto muito significativo, ligado aos obsessivos ritos da purificação impostos pela lei que chegou a assumir o significado de consciência limpa.
Jesus é condenado à flagelação e à crucificação. A flagelação era um suplício conhecido no Antigo Testamento e infligido – com bastões – a quem cometia violência ou calunias. O número dos golpes variava, mas não podia superar o número de 40. Jesus, porém, foi condenado à flagelação romana, sem limitação de golpes e infligida com chicotes entrelaçados com pedaços de osso ou com terminais de chumbo.
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Publicado no Jornal Missão Jovem de novembro 2017
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