Jovem cria app para que crianças não passem o recreio sozinhas

natalie hampton

Natalie Hampton exibe o app que desenvolveu, o “Sit Whit Us”

Após sofrer bullying na escola, uma jovem norte-americana lançou um aplicativo para que crianças não passem o recreio sozinhas

 

T
odo mundo que já almoçou ou lanchou sozinho alguma vez já passou por uma sensação estranha de, olhar ao lado, ver pessoas acompanhadas, e sentir uma pontinha de inveja. Isso porque é sempre melhor ter um amigo para partilhar o alimento e, claro, uma boa conversa entre uma garfada e outra. No ambiente escolar, essa premissa ganha um agravante: se um aluno é visto sozinho, os demais acabam por taxá-lo como alguém tão chato que não consegue sequer um amigo para conversar. Por outro lado, o aluno que fica sozinho no intervalo sente o peso da exclusão. Esses são alguns dos ingredientes que dão um sabor amargo ao bullying, quando um grupo junta-se para tirar sarro de alguém (ou de outro grupo).

Ao perceber que estava passando por uma situação como essa, uma jovem da Califórnia, nos Estados Unidos, decidiu fazer algo a respeito. Na época, Natalie Hampton tinha apenas 16 anos. Estudava em um colégio onde se sentia sozinha, especialmente nos intervalos. “Na minha antiga escola, eu era completamente excluída por todos os meus colegas de classe e, por isso, eu precisava almoçar sozinha diariamente. É muito triste quando você entra no refeitório e vê as mesas ocupadas e sabe que ir até elas só terminaria em rejeição. Quando você procura um lugar para comer e tem que se sentar sozinho, fica meio apreensivo, pois as pessoas enxergam você como alguém que não tem amigos. Há tantos sentimentos terríveis que vêm junto com isso, que eu até perdia a fome…”, contou Natalie em uma entrevista concedida ao site NPR – National Public Radio.

A rejeição era tanta que a jovem trocou de escola. No novo ambiente, teve mais facilidade para fazer amizades. Assim, superando a barreira anterior, surgiu uma ideia: ajudar jovens que passavam pelo mesmo problema de se sentirem excluídos. Com isso em mente, sempre que via alguém sozinho, Natalie fazia o convite para sentar junto dela e via a expressão de alívio em seu rosto.

“Bem, senti que, se eu estava prosperando em uma nova escola, mas não fazia nada sobre as pessoas que ainda se sentiam isoladas todos os dias, estava sendo tão ruim quanto aquelas que me viram comer sozinha e não tentaram me ajudar. Percebi que, com a minha história, era meu dever fazer algo sobre todas as crianças que se sentem excluídas. Foi aí que pensei em criar algo que abordasse o bullying, mas de uma maneira positiva”, relembrou.

Esses foram os primeiros passos que a jovem deu para criar o aplicativo gratuito Sit With Us (sente-se conosco), lançado em 2016, mas, por enquanto, disponível apenas no território norte-americano. Funciona assim: as crianças e adolescentes se inscrevem e concordam em publicar almoços abertos para que qualquer pessoa que instale o aplicativo no celular, e não tenha com quem ficar no intervalo, possa encontrar uma mesa e fazer novos amigos.

natalie hampton na ONU

Com sucesso do app, Natalie foi convidada a participar da Assembléia da Juventude nas Nações Unidas, em Nova York

A pergunta que fica é: se os jovens podem chegar perto de alguém e dizer “ei, posso sentar com você?”, então qual a razão para criar uma ferramenta digital que faça isso? A idealizadora do aplicativo explica: “Tomei como base a minha própria experiência. Na minha antiga escola, tentei muitas vezes alcançar alguém, mas fui rejeitada de várias maneiras. Você sente que está se rotulando como um perdedor quando pede pessoalmente para se juntar a uma mesa com alguém que você não conhece. Por meio do telefone é diferente, porque tira um pouco a vergonha. Além disso, como todos os cadastrados têm interesse em fazer novos amigos, você sabe que não vai ser rejeitado assim que chegar à mesa”, enfatiza Natalie.

 

Publicado no jornal Missão Jovem de fevereiro de 2019 – edição nº 346

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