Judite: O poder dos fracos

Aprendendo com as mulheres da Bíblia (8ª parte)

 

Irmãos e irmãs muito amados!

Alguns livros da Bíblia foram escritos para transmitir lições de resistência e coragem ao povo oprimido num estilo literário conhecido como “novela bíblica”. São histórias elaboradas por pessoas que assumem a causa da defesa e promoção da vida dos fracos e desprotegidos. A este estilo literário pertence o livro de Judite.

Uma situação de desespero

A história de Judite foi escrita ao redor do ano 170 a.C. Nessa época, o povo de Israel encontrava-se sob o domínio dos gregos. Antíoco IV era o rei que oprimiu fortemente o povo, impondo uma ideologia contrária às tradições e costumes de Israel. No livro é representado por Nabucodonosor. A figura de Judite representa o próprio povo judeu sob o domínio de impérios estrangeiros. Não é por acaso que foi escolhido o nome “Judite” (= mulher da Judeia) como principal protagonista.

Israel é um povo fraco, ameaçado pelo exército inimigo. Um sentimento de desânimo e de frustração tomou conta dos líderes e da população concentrada em Betúlia, uma pequena cidade situada numa montanha da região da Samaria. A cidade está cercada por soldados, as fontes de água foram cortadas e não há como furar o cerco para alcançar a liberdade. Há uma triste sensação de que Deus abandonou o seu povo.

Judite se levanta para agir

Judite está de luto por causa da morte de seu marido. A sua condição de mulher viúva, porém, não a impede de estar bem informada da situação em que vive o povo. Além disso, não segue o que impõe o sistema patriarcalista que não permite a participação das mulheres na vida pública. Ela é “muito temente a Deus” (Jt 8,8) e decide agir com exemplar coragem. O capítulo 8 do livro de Judite mostra qual deve ser a verdadeira atitude dos que seguem a Deus. Com fé e confiança é possível encontrar saídas para os problemas e crises.

A partir do capítulo 10 ela se prepara para enfrentar o inimigo do seu povo. Enfeita-se, perfuma-se e sai das portas da cidade dirigindo-se ao encontro do general Holofernes. Com estratégia toda peculiar, conquista a sua atenção e o seu afeto até o momento em que lhe corta a cabeça, salvando assim o povo de Israel.

Aprendendo com Judite

A história de Judite nos ensina que os pequenos e fracos são portadores de uma força capaz de transformar uma realidade social. Para isso, é necessário mobilizar-se para “cortar a cabeça”, isto é, não submeter-se à ideologia de superioridade e de domínio de alguns sobre os outros. O livro de Judite nos lança um apelo fundamental que é o de “levantar-se” para servir à causa da justiça e da fraternidade a partir da cidade onde moramos. Judite somos nós hoje…

Para dialogar e agir:

  • Ler e contar com as próprias palavras: Jt 8,1-36.
  • Qual é a motivação fundamental que leva Judite a agir?
  • Concluir com preces espontâneas e o cântico de Judite: 16,1-17.

Publicado no Jornal Missão Jovem de Outubro de 2017

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