Milagres garantidos

(Apocalipse 12, 13-17)

O
que nos salva do sofrimento, do medo, da solidão, da sensação de vazio que, às vezes, não sabemos como mandar embora?

Há muitos “salvadores”. Alguns animados, com boa vontade; outros somente à procura de dinheiro e poder. Se forem espertos, encontram sempre alguns que os seguem, porque geralmente respondem a uma necessidade verdadeira e profunda.

Hitler encantou os alemães, fazendo-os sentir-se uma raça superior; Mussolini encantou os italianos, prometendo fazer renascer a glória e a riqueza do império romano; o comunismo fez crer que podia realizar o paraíso na terra, sem injustiças e delitos. Todos apresentaram uma fachada fascinante, atrás da qual escondiam um punho de ferro para esmagar os opositores.

As pessoas os seguem porque se recusam a pensar, veem o belo que lhes é apresentado. Quem se opõe se torna um obstáculo a ser retirado do caminho o mais rápido possível.

Assim também, um pobre homem que lê o evangelho e entende pouco, mas sente a necessidade de aparecer, pode colocar na cabeça que é capaz de fazer milagres. Aluga uma garagem e escreve na placa: “Milagres garantidos”. Ele também encontra alguém que o segue, que o faz sentir-se grande e o ajuda a sobreviver…

Caída a ilusão de que a política e a religião resolvem tudo, há quem aproveite para levar-nos para um outro lado, o do consumismo. Quanto mais compras, melhor. Inicia-se uma corrida frenética à moda, aos aparelhos eletroeletrônicos sofisticados, ao excesso de informações. Tudo é bom, desde que se gaste contente, convencido que assim, se encontrará.

O Apocalipse é duríssimo contra este contínuo renascer de ilusões, sempre capazes de convencer. Convencem porque têm em conta as necessidades verdadeiras, e porque falam meias verdades.

E o homenzinho, que acredita fazer milagres, parece-me um iludido ou um charlatão. E ele também causa danos, porque desvirtua a fé.

O caminho com Jesus é de salvação, mas certamente não para fazer nossas vontades. Os discípulos o seguem para mudarem suas vidas, para viverem a justiça, o amor e a liberdade, não para fazer com que seus problemas sejam resolvidos gratuitamente. A fé quer nos fazer chegar a Deus; a magia e os falsos milagres querem reduzir Deus a um fantoche em nossas mãos. A salvação cristã acolhe Deus como companheiro de vida, que viveu nossa fragilidade e nosso sofrimento, tornando-os estrada para chegar à vida plena e definitiva.

O cristão pode ser frágil e assustado, mas não pede o milagre para estar tranquilo, sem fadiga; pelo contrário, pede para aprender a amar, a lutar, a levantar quando cai, a se tornar construtor de paz e não de barreiras e divisões. O Apocalipse não oferece consolação, mas frequentemente fala do martírio.

Se quisermos ser homens e mulheres verdadeiros, capazes de coisas que valham a pena e encontrar Deus na liberdade, devemos nos preparar para lutar e até para perder. Confiando em Deus e em suas promessas.

Publicado no Jornal Missão Jovem de Setembro de 2017

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