“Minha vocação se iniciou por um desejo de fazer o bem”, diz padre

luca vinati

Luca Vinati via a missão como um presente muito grande, exigente e impossível para suas poucas forças. Hoje esbanja entusiasmo missionário na Guiné-Bissau

 

Sou um padre missionário do Pontifício Instituto das Missões Exteriores (PIME) desde o dia 16 de junho de 2018, quando recebi a ordenação sacerdotal. À minha frente avisto o arquipélago de Bijagós, na Guiné-Bissau, para onde fui destinado desde o dia 4 de outubro. A minha vocação se iniciou por intuição, um movimento interno do coração, um desejo normal de fazer o bem, um sentimento ou uma emoção à qual nem consigo dar um nome. No passar dos anos, com a maturidade humana e cristã que pouco a pouco se despertava, a vocação ficou mais clara e definida, ainda que mantivesse certa aura de mistério.

Ao rever o meu passado, reconheço a presença de um fio condutor que me guiou, que se revelou nas escolhas feitas, nos conselhos recebidos, nas esperanças e encontros partilhados, nas amizades, assim como nos erros e quedas. Apenas digo que embarquei nas palavras do cardeal Carlo Maria Martini: “A vocação do cristão, qualquer que seja, nada mais é do que um caminhar para o dom total de si mesmo ao Pai, na cruz”.

Conversão e testemunho

Dando uma resposta de fé, digo que cheguei à decisão missionária além-fronteiras por duas razões que se complementam: conversão e testemunho. “Por causa dele, perdi tudo e considero tudo como lixo, a fim de ganhar Cristo e ser encontrado unido a Ele”, nos disse São Paulo (FI 3, 8). O segundo motivo integra e complementa o primeiro. É o do testemunho e do anúncio do Evangelho. Todos somos chamados a evangelizar nos locais onde nos encontramos. Eu fui destinado às terras da África, ao lado de pessoas e povos que não conhecem o Cristo, ou que O conhecem pouco.

Pelo meu caráter, disposição, personalidade e história, a missão além-fronteiras é a que descobri como a mais próxima do meu perfil, tendo sempre presente que o horizonte continua a ser o da persistente conversão pessoal.

Ação de graças e um pedido

Concluo essas reflexões com uma ação de graças: um agradecimento irrestrito a Deus pelo dom da minha família: papai e mamãe, meu irmão, sua esposa e meus dois queridos sobrinhos. Foi nesse berço que recebi a fé, foi onde descobri e aprofundei a vocação. Os familiares foram muito próximos em todo o tempo da minha formação, partilhando a espera, as expectativas, tanto nos momentos felizes quanto nas horas difíceis e de sofrimentos. Cada um deles é parte da minha história humana e cristã. Com essa confissão, expresso-lhes meu amor e gratidão.

A você que me lê peço uma oração a fim de que eu possa ser sempre coerente e fiel a esta vocação, e que, a cada momento, eu renove o meu pequeno “sim” com confiança e esperança, respondendo àquele grande “SIM” com o qual o Senhor me escolheu e confirmou, dando a entender que “um camelo pode passar pelo buraco de uma agulha” (Lc 18,25). A Deus nada é impossível.

 

Testemunho de Luca Vinati publicado na revista Mundo e Missão de dezembro de 2018 – edição nº 228
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