Missionárias da Imaculada iniciam nova caminhada na Amazônia

missionarias da imaculada

Frei Gino Alberti, capuchinho, entre as missionárias da Imaculada no Rio Solimões

Confira os primeiros passos da missão em Santa Rita do Weil, uma das comunidades do município amazonense de São Paulo de Olivença, na fronteira ocidental da Amazônia brasileira

 

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hegamos em Tabatinga, cidade que faz fronteira com a Colômbia, na segunda-feira de Páscoa deste ano. A viagem foi especial para mim e para as coirmãs de congregação, Dora e Ani Ajitha. Tabatinga é a sede da diocese de Alto Solimões. Lá, fomos acolhidas com grande entusiasmo pelo seu bispo, dom Adolfo Zon Pereira. Antes ainda de chegar à nossa comunidade em Santa Rita do Weil, já fomos participar de um encontro diocesano em preparação ao Sínodo Pan-Amazônico*.

A diocese de Alto Solimões é composta por oito paróquias com 15 sacerdotes, mas só um deles é nativo desta região. Os demais são religiosos capuchinhos ou xaverianos, ou de outras dioceses do país, “cedidos” por certo período de tempo à Igreja da Amazônia. Além dos sacerdotes, a diocese conta com o auxílio de aproximadamente 30 religiosas de várias congregações.

Por ser uma área de fronteira, uma das características desta parte ocidental da Amazônia brasileira é a variedade da sua população, que se compõe de imigrantes peruanos e colombianos, ribeirinhos, caboclos e indígenas. Os indígenas de várias etnias predominam. Os ticuna são os que têm maior número de indivíduos. Eles conseguiram manter suas próprias raízes culturais, com ritos e tradições ancestrais. E falam sua língua nativa. Há também outras etnias em menor número: os cocama, os cambeba e os caramari. Compõe também a população um número expressivo de militares para garantir a segurança nas fronteiras, particularmente do Brasil com o Peru. Peruanos em bom número, sobretudo em São Paulo de Olivença, monopolizam quase todo o comércio local, tanto o lícito quanto o ilícito.

Terra de fronteiras significa também terra com desafios sociais e de segurança muito sérios: alto índice de suicídios, especialmente entre os jovens que não conseguem vislumbrar um futuro, amplo corredor de drogas, e tráfico intensivo de pessoas. Tais dramas se apresentam como gritos sufocados na garganta, porque não se consegue vislumbrar uma luz no fim do túnel.

Santa Rita do Weil

Após o encontro diocesano em Tabatinga viemos parar em Santa Rita do Weil, um dos 73 distritos ou comunidades do município amazonense de São Paulo de Olivença, onde está a nossa paróquia. O município conta com 37,7 mil habitantes (IBGE-2016). Situa-se a pouco mais de mil quilômetros a oeste de Manaus. Já fazia tempo que estávamos de olho na tríplice fronteira: Brasil, Colômbia, Peru.

Estamos em Santa Rita do Weil na esperança de encontrar um caminho que garanta a nossa presença neste chão. Viemos, inicialmente, através de uma equipe itinerante. Em seguida, com um projeto de comunidade intercongregacional. Agora formamos uma comunidade interprovincial (das duas províncias das Missionárias da Imaculada do Brasil, Norte e Sul).

Mas, no final das contas, o que viemos fazer neste pedaço de mundo que nem o Mapa da Google consegue visualizar? Ainda não temos clareza absoluta. Estamos apenas nos primeiros passos e a comunidade interprovincial está incompleta, por enquanto. Como em todo o começo, é bom “não fazer nada” e dar tempo ao tempo para observar, conhecer, procurar e criar vínculos de amizade e confiança. Mas esperamos ser uma presença respeitosa, que tenha condições de caminhar junto ao povo e acompanhar o seu ritmo de vida.

Em Santa Rita de Weil existe algumas famílias católicas e um líder que garante a celebração da Liturgia da Palavra dominical na ausência do sacerdote. Este, por sua vez, pode chegar a esta comunidade apenas uma vez por mês. A consciência de tornar Santa Rita de Weil uma comunidade verdadeiramente cristã ainda é apenas embrionária. E não é tudo: multiplicam-se povoações ao longo do caudaloso Rio Solimões. Comunidades prevalentemente indígenas quase abandonadas, porque o padre pode chegar a cada uma delas somente uma vez por ano, se tanto.

Terreno fértil para a missão

A missão na Amazônia tem características muitíssimo bem definidas. As distâncias, que ocasionam um isolamento quase completo das aglomerações interioranas, a falta de sacerdotes e o consequente clamor pela formação de leigos comprometidos, mas que devem conciliar casa, família, trabalho e afazeres comunitários. Há também enormes problemas sociais. Tais dramas humanos são inconciliáveis com o anúncio da boa nova do Evangelho, que propõe vida plena e vida em abundância. Os desafios são grandes, mas também grande é a fidelidade àquele Deus “Tupã”, que nos chamou para nos encarnarmos neste chão abençoado.

Sínodo Pan-Amazônico
“Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”. Este foi o tema estabelecido para o Sínodo dos Bispos em 2019 pelo papa Francisco. A Assembleia Especial do Sínodo está marcada para outubro e será realizada em Roma. O objetivo principal desta convocação é identificar novos caminhos para a evangelização daquela porção do Povo de Deus, especialmente dos indígenas, frequentemente esquecidos e sem perspectivas de um futuro sereno, e também por causa da crise da Floresta Amazônica, “pulmão” de grande importância para o planeta. Os povos e nações que vivem na Pan-Amazônia pertencem aos países que têm a floresta Amazônica em seu território: Brasil, Peru, Bolívia, Colômbia, Equador, Venezuela, Suriname, Guiana e Guiana Francesa. Na região amazônica habitam aproximadamente 2,8 milhões de indígenas pertencentes a 390 povos autóctones e 137 povos “isolados”. São pessoas que falam 240 línguas diferentes, pertencentes a 49 ramos linguísticos relevantes do ponto de vista histórico e cultural.
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