Não julgar

Lucas 6, 37-45

J
esus nos propõe vários ensinamentos aonde a misericórdia está no centro. De fato, antes de dizer as palavras reportadas nos quadrinhos, Jesus havia afirmado: “Sejam misericordiosos como o Vosso Pai é misericordioso”. Nisto está a chave para compreender todo o resto. Nós somos filhos de Deus, portanto devemos nos parecer com Ele; o nosso rosto deve reproduzir os seus ensinamentos, a nossa vida deve refletir a sua. Se Deus é amor, uma misericórdia que perdoa qualquer pecado, pois a única coisa que Lhe interessa é que nada nos separe de sua amizade, também nós deveríamos expressar, vivendo a mesma intenção, o mesmo interesse.



Jesus sublinha que a medida do nosso perdão se tornará a mesma que Deus usará conosco: se julgamos e condenamos, Deus nos julgará e condenará; se, pelo contrário, perdoamos generosamente, Deus fará o mesmo conosco. Alguém poderia pensar que Deus não é misericórdia sem limites, porque usa o nosso mesmo metro para medir! Não é assim, e Jesus explica logo em seguida: o nosso coração é como um cesto que pode ser grande ou pequeno. Se o diminuímos com nosso egoísmo, Deus poderá colocar pouco; se, ao invés, o alargamos a todos, se tornará capaz de acolher abundantemente tudo aquilo que Deus quiser colocar dentro. A esta altura vem em mente uma expressão que repetimos no Pai Nosso: “Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”.

não julgar

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 Jesus acrescenta outro argumento: como podemos julgar os outros, criticar seus defeitos, quando nós mesmos, quem sabe, temos defeitos maiores? Isto é, nós não temos nenhum direito de julgar, pois basta olharmo-nos no espelho para ver quantas coisas negativas temos! Relendo estas palavras, podemos dizer que aquilo que conta é colocar em luz não o negativo, mas o positivo que existe em nosso próximo: assim nos tornamos construtores de relacionamentos diferentes, de nova humanidade.
Outro ensinamento de Jesus é que somente Ele é o Mestre que devemos seguir; nós não somos guias capazes de orientar os outros, mas cegos que não possuem luz para descobrir a estrada da salvação. Jesus disse: “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8,12).

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 Enfim, Jesus nos conduz para dentro de nós mesmos, para examinar como é o nosso ‘coração’, ou seja, o centro do qual partem as nossas ações. Jesus fala de frutos bons ou maus, que são sinais da qualidade da árvore. Se as nossas ações são boas, significa que o nosso coração é bom; pelo contrário, se as nossas ações são más, significa que o nosso coração é malvado. Todavia é preciso acrescentar que não se deve parar nas singulares ações, boas ou más, para dizer que nosso coração é bom ou mal; é necessário tomar nossa vida em seu todo e ver se nela prevalece o bem ou o mal. O importante, poderíamos dizer, é não ficar na superfície, mas ir à procura da nossa raiz.
Publicado no Jornal Missão Jovem de novembro 2017
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