Nas ondas da vida

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Este belo país tropical é um permanente convite para você comemorar o início de um Ano Novo à beira de um mar imenso. Aprofunde os pés na areia e abra os braços. Ouça o mar, inspire a brisa suave e viaje em sonhos de esperanças renovadas: veja as águas que despontam no horizonte

 

O
mar: uma superfície plana que, aos acenos dos ventos, mira o continente e se anima para se aproximar. E ele vem. As marolas crescem e se alongam, e se dispõem a engolir a terra. E então avançam em cristas que se enrolam, volúveis, fragorosas. À medida em que se achegam, as areias puxam suas rédeas. Então as ondas se acalmam e se desmancham. Estendem-se ao chegar à orla, onde apenas beijam a areia quente. Refluem em seguida para outras investidas e achegos.

Outra imagem me traz de volta às ondas. A de surfistas, coração nas mãos e mente livre, leve e solta, quando emergem dos tubos espumantes que gotejam. Nos pés, a prancha exige força e ousadia, mas lhe falta um chão seguro. Sobre vagalhões sem rumo certo, os intrépidos jovens experimentam prazeres indescritíveis, adrenalinas a mil.

Assim somos nós, os surfistas do dia a dia nas areias movediças do ano que findou. E após o remanso do ano iniciante, pegamos as novas ondas de planos “infalíveis”. Os dias passam. As semanas também. E, ao longo dos meses, mais e mais areia se acumula nos projetos que, aos poucos, perdem velocidade. E aí a serpente atenta: “Não tem problema: quando começar um novo ano…”. Besteira!, diria o mineiro Drummond de Andrade, dedo em riste e olhar sisudo: “É dentro de vocês que o Ano Novo cochila e espera desde sempre”.

Assim, precisamos esquecer os planos “infalíveis”. Basta um novo olhar. Um olhar interior que traga para a moldura vazia do ano iniciante as alegrias das areias macias. Das brisas suaves. Do céu azul. À volta, outras pessoas têm sonhos semelhantes. Partilhemos o nosso. Juntos é mais fácil semear a esperança e a paz, para colhê-las ao longo dos dias. Até porque elas não são uma estação do ano, mas um estado de vida.

Também aprendi de outro poeta que “a esperança é como uma menininha que vai andando, sem ser notada, entre duas irmãs maiores, a fé e a caridade. Mas, na realidade, é essa garotinha que arrasta tudo consigo”. Ela precisa, porém, ser sempre alimentada.

E, de reboque, partilho a expressão que um veterano missionário acrescenta à sua saudação, sempre que me encontra: “Coragem! É proibido desanimar”.

 

Editorial publicado na revista Mundo e Missão de janeiro/fevereiro de 2019 – edição nº 229
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