Nicodemos: é preciso nascer de novo

O novo nascimento que Jesus propõe tem sua origem em Deus e é fruto da ação do Espírito Santo

O ano de 2018 é dedicado aos leigos e leigas. Com o objetivo de fortalecer a fé, de perseverar no amor e de caminhar com entusiasmo no seguimento de Jesus, queremos resgatar o testemunho de alguns personagens citados nos escritos do Segundo Testamento. Eles fazem parte das primeiras gerações de cristãos e cristãs: conheceram a Jesus e procuraram viver e difundir sua mensagem para todos. Neste primeiro encontro vamos resgatar a figura de Nicodemos a partir do texto do evangelho de João 3,1-21.

N
icodemos faz parte da elite religiosa de Jerusalém. É membro do Sinédrio. Ele fica sabendo da reputação de Jesus. Ouve falar dos seus ensinamentos, dos sinais que ele realiza no meio do povo e também de suas críticas às autoridades religiosas, inclusive daquela surpreendente atitude de Jesus ao expulsar os comerciantes do Templo (Jo 2,13-17). Então, Nicodemos decide ir ao seu encontro. Para isso, toma os cuidados necessários para não ser visto pelos outros. A noite é o momento adequado. Sem saber, Nicodemos vai ao encontro da “Luz que brilha nas trevas” (Jo 1,5).
Jesus o acolhe. Estabelece-se um diálogo respeitoso. O rumo da conversa, porém, não foi exatamente o que Nicodemos esperava. Jesus lhe apresenta a proposta do Reino de Deus. A condição para entrar nele é a de um “novo nascimento”. Nicodemos interpreta a palavra de Jesus ao pé da letra. Não consegue alcançar o seu sentido verdadeiro: “Como pode um homem nascer, sendo já velho?” O novo nascimento que Jesus propõe tem sua origem em Deus. É fruto da ação do Espírito Santo. Para entrar no Reino de Deus não basta pertencer a uma religião e cumprir todas as leis.
A conversa com Jesus produziu efeito em Nicodemos. Quando seus colegas do Sinédrio querem condenar Jesus, Nicodemos tenta defendê-lo, dizendo que não se pode julgar alguém sem antes ouvir o que ele fez (Jo 7,50-51). Porém, vai ser voto vencido. Jesus foi condenado à morte. Nicodemos, no entanto, não abandona o caminho de Jesus. Segue-o até a sua crucificação. Ele e o seu colega José de Arimateia “pegaram o corpo de Jesus e o envolveram com os perfumes, em faixas de linho, do modo como os judeus costumam sepultar” (Jo 19,38-42).
Podemos afirmar, então, que Nicodemos se tornou discípulo de Jesus. E, por causa disso, enfrentou dificuldades e conflitos: a nível pessoal precisou vencer as seguranças que davam sentido à sua vida; a nível social precisou superar o medo de ser abandonado por amigos e até perseguido.
Nicodemos precisou esvaziar a mente e abrir o coração para acolher a nova proposta de Jesus e tornar-se seu fiel discípulo. Ele entendeu o que significa o novo nascimento. Também hoje em dia há pessoas que pregam e agem como se a pertença a determinada religião e o cumprimento de alguns preceitos fossem suficientes para se salvar. A proposta que Jesus faz a Nicodemos deve nos levar, no mínimo, a desconfiar de nossas posturas de superioridade perante os outros, bem como das seguranças dentro das quais nos protegemos.

Publicado no Jornal Missão Jovem de agosto de 2018

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