Nós, família missionária no Brasil

A Igreja brasileira celebra, na segunda semana do mês de agosto, que é o Mês das Vocações, a Semana Nacional da Família. Aqui o testemunho de uma família missionária italiana que mora e trabalha em São Paulo desde março de 2019

por André Guerra


Cheguei no Brasil no dia 21 de março de 2019, junto com a minha esposa Chiara e a nossa filha Matilde, que tinha apenas um ano e quatro meses. Naquele dia, depois de dois anos de formação na Itália com o Alp (Associação Leigos do PIME, a associação que prepara os leigos para sair e prestar serviço nas missões do instituto), começou oficialmente a nossa missão em São Paulo.

O que significa ser “família missionária” hoje? Em primeiro lugar significa ser família. Essa é a nossa primeira vocação. Nós gostamos de descrever a vocação usando a imagem de um vestido e de um armário. Todos temos aquela roupa que gostamos de usar porque é confortável, porque nós nos sentimos lindos vestindo-a. A vocação é o vestido que nos ajuda a ser mais próximos a Deus e aos outros, a responder melhor à chamada Dele. Então, a nossa primeira vocação é a de ser uma família, de ser um marido e uma mulher, de ser uma mãe e um pai. Depois, ao longo da nossa vida de noivos e casal, descobrimos que este vestido, esta vocação, não era suficiente. Fizemos várias experiências missionárias nas missões do PIME, no mundo inteiro e sempre sentimos que Deus estava nos chamando a algo maior.

No 2015, depois de dois anos de casamento, começamos o curso do Alp, que terminou em 2017. Em 2018 o PIME nos propus a possibilidade de fazer uma visita no Brasil, para conhecer as missões do instituto e para pensar num projeto missionário aqui. No mês de outubro do mesmo ano recebemos o mandato missionário e no começo de 2019 saímos da Itália, deixando famílias, trabalhos, amigos.

O que fazemos no Brasil? Colaboramos com uma Ong local, a Conosco, que foi fundada por um grupo de leigos com a ajuda (e sob o impulso) de alguns padres do PIME que serviram em São Paulo, como padre Franco Villa e padre Maurilio Maritano. Ajudamos também os padres de São Paulo que pedem a nossa colaboração e somos catequistas (do Crisma) na paróquia Nossa Senhora Aparecida, na Pedreira, onde o PIME trabalhou desde o inicio da missão em São Paulo.

Mas além do que fazemos, o mais importante é porque nós estamos aqui. Estamos aqui porque temos o desejo de responder a uma chamada, a uma vocação, porque temos muita sorte e queremos compartilhar a nossa alegria: nós queremos confiar nossa vida a Ele para dar um pedaço do amor que experimentamos todos os dias. Então, além do trabalho, ser uma família missionária significa compartilhar a vida, a fé, ser uma presença que mostra um pedaço do rosto de Deus, do amor e da misericórdia Dele.

Tentamos cada dia de viver, não sem erro e não sem dificuldades, o mandato missionário que o Papa Francisco passou para todos os batizados: esta vida divina não é um produto para vender – não fazemos proselitismo – mas uma riqueza para dar, comunicar, anunciar: eis o sentido da missão. Tentamos cada dia de viver, não sem erro e não sem dificuldades, o Evangelho de Jesus: “Recebemos gratuitamente este dom, e gratuitamente o partilhamos” (Mt 10,8).


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