O avião no mandiocal

Um missionário aceita a carona num monomotor para chegar mais rápido à área indígena e vive uma verdadeira aventura

N
os anos 1970, a prelazia de Parintins mantinha um monomotor CESNA 170, pilotado pelo irmão Agostinho. Em uma ocasião, para facilitar a visita às comunidades sateré-mawé, pedi ao irmão Agostinho para me levar à área indígena com o aviãozinho. Avisei o pessoal de Vila Nova, onde existia um campo de pouso utilizado pela missão Batista e pela Funai, e marcamos o dia da viagem.

De avião, de Parintins às cabeceiras, só uma hora de voo. O experiente piloto irmão Agostinho garantia o voo, mas falou que não tinha muita prática na localização das comunidades indígenas das cabeceiras do Andirá. Respondi que eu poderia reconhecer, lá de cima, as aldeias dos índios e os rios, pela experiência que eu tinha das viagens de barco e canoa.

Levantamos voo numa linda manhã. O aviãozinho, subindo, pegou logo o rumo da direção Sul. Passamos pelo Rio Paraná do Ramos, Uaicurapá, Ponta Alegre e fomos acompanhando o rio Andirá. Sobrevoamos as aldeias do Molongotuba, Simão, São Luiz, Torrado e Kukuí. O rio já estava mais estreito, o tempo era bom, apenas umas nuvens na direção da Vila Nova. Quando, no meio da mata verde apareceu ao longe o campo de pouso, as nuvens já tinham sumido. Sobrevoamos o povoado para observar a pista. O campo de pouso estava molhado pela chuva. Melhor se estivesse seco. Havia um trilho no meio, ladeado por capim raso. Enxergamos os índios na beira do campo.

O teco-teco foi entrando como num corredor entre as árvores do mato. O campo de pouso começava numa área desmatada e terminava na beira de um vale. O pouso foi normal, um pouco balançado. O aviãozinho começou a correr na pista. Mas o terreno molhado dificultava o controle do monomotor que podia deslizar de lado. A pista era curta e era preciso frear.

Tudo estava indo bem quando, numa freada, a roda esquerda encontrou o terreno mais fofo do que a outra. Conclusão:
o teco-teco desviou pra esquerda da pista, entrando improvisamente num mandiocal bem alto. Ficamos assustados
pensando que o avião podia bater em alguém ou em algum toco de pau e capotar. A sorte foi que o terreno estava limpo.

A hélice do teco-teco cortava o mandiocal e abria uma espécie de caminho. Lembro-me da nuvem verde de folhas de
mandioca espalhadas na nossa frente e dos índios correndo perto do teco-teco, divertindo-se com o avião cortando o
mandiocal daquele jeito. Nada aconteceu conosco e como avião. Só um grande susto, daqueles em que parece que
o coração chega até a garganta de tanto bater para, logo depois, voltar ao normal.

REFLEXÃO

Acho que você também já passou por algum susto ou perigo mortal. Isso nos lembra como a nossa existência está nas
mãos de Deus que, em qualquer dia, pode nos chamar para a outra vida. Temos que estar preparados, fiéis a Ele e aos seus
mandamentos.

A reflexão desta edição está nesta pequena frase: “Não tenhas medos do que irás sofrer… Mostra-te fiel até a morte e eu te
darei a coroa da vida” (Ap 2,10).

Publicado no Jornal Missão Jovem de agosto de 2018

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