O sonho de Elisa

O desejo de levar uma biblioteca para as crianças do seu bairro tornou-se realidade com o apoio dos pais

E
lisa Scala era uma leitora apaixonada e também uma atleta. Tinha apenas 11 anos quando, em 2015, perdeu sua batalha contra uma grave leucemia. Estudava no Instituto Motta Camastra de Rocca Cencia, na periferia de Roma, na Itália. Ali não existia uma biblioteca. Assim, Elisa, nos longos dias da doença, à espera do transplante, havia decidido preencher uma estante de livros. “Ela havia expressado o desejo de fazer uma sala para os livros. Infelizmente, em pouco tempo, a perdemos. Por isso, desejamos construir esta biblioteca. Este projeto ajudou a mim e a minha esposa a seguir em frente, continuando a viver em sua recordação”, contou Giorgio Scala, pai de Elisa.

Uma competição de solidariedade

Depois da morte da menina, seus pais lançaram a iniciativa “Doe um livro para Elisa”, para recolher livros novos e usados e presentear a escola em que a menina havia estudado. A única regra era que cada livro doado deveria ter uma dedicatória a ela. Graças também à difusão da página do Facebook La Biblioteca di Elisa, chegaram centenas de volumes de Roma, depois de toda Itália e até mesmo da Inglaterra e da Austrália.

“Os livros são meus amigos”

Ela, uma menina corajosa, apelidada de “Corujinha”, falava assim: “Eu sou amiga dos livros. Proponho que você leia os livros para conhecer o mundo; mesmo que sejam ou te pareçam grossos, você não deve se assustar, pois quando começar a ler, irá pensar em todas as imagens que o escritor procurou descrever e estará em milhões de lugares diversos. Relendo-os viajarás quantas vezes desejar. Ler um livro é interessante porque faz você crescer e abrir a sua mente”.

Além das estantes

Com o passar dos anos, a biblioteca de Elisa cresceu. Inaugurada em tempo recorde, superou cinco mil doações e se tornou uma ‘Bibliopoint’ da biblioteca de Roma. Faz parte do circuito “Nascidos para ler”, para divulgar a importância da leitura às crianças de zero a seis anos. Os pais de Elisa, Giorgio Scala e Maria D’Ambrosio, alargaram os horizontes e começaram a ajudar outras realidades que não podem se dar ao luxo de ter uma biblioteca municipal para as crianças.

O espaço foi muito mais do que um aglomerado de estantes, tornou-se um laboratório aberto à cidade para realizar cursos, visitar exposições, participar de concursos artísticos e literários. Assim, Elisa revive nas crianças de sua idade.

Você gostaria de enviar algum livro para a biblioteca de Elisa? Acesse a página do projeto no Facebook, clicando aqui. 

Publicado no Jornal Missão Jovem de Junho/Julho de 2018

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