O Valor do Encontro

Este é o testemunho missionário do jovem Renan Maia dos Santos, de 26 anos, que mora em Londrina, no Paraná. Ele fez uma experiência na Costa do Marfim. Vamos conhecer?

Renan Maia

O
desejo de fazer uma experiência missionária nasceu da minha caminhada na Igreja. Primeiro com o grupo da “Infância e Adolescência Missionária”, depois com a Juventude Missionária. Em 2015 conheci o projeto JUMP, do PIME, que aumentou ainda mais o meu desejo de realizar uma experiência além-fronteiras. Com o projeto tive encontros temáticos, para conhecer e vivenciar culturas de outros continentes.

Mão na massa

A parte econômica foi a mais desgastante. Houve várias dificuldades para conseguir arrecadar fundos para as passagens. Trabalhei em eventos da diocese, vendendo doces após as missas em diversas paróquias e participei da organização de um show de prêmios.

As expectativas

As expectativas eram grandes pois sonhava com esta experiência há muito tempo. Mas, mesmo assim, não tinha a menor ideia do que esperar de um povo que eu pouco tinha ouvido falar, de uma cultura totalmente diferente. Só tinha o desejo de partir logo.

Chegando na Costa do Marfim, fiquei na Paróquia Notre Dame de la Annunciacion (Nossa Senhora da Anunciação), no município de Kani. É uma cidade pequena com a maioria da população muçulmana.

Fiquei lá no durante o Harmatã. É o período em que vem o vento dos países ao norte da Costa do Marfim. O vento traz a poeira do deserto para aquela região e deixa o ambiente com muita poeira. E as temperaturas oscilam muito.  Pela manhã e à noite, faz frio. À tarde permanece quente. Às vezes, faz 36 graus durante a tarde e à noite 17.

As dificuldades

A maior dificuldade que encontrei foi com a língua. Para se comunicar tive que usar gestos, até começar a aprender algumas palavras em francês.

Foi um choque conhecer uma cultura patriarcal. Os homens são os primeiros em tudo, e as mulheres e as crianças ficam sempre em segundo plano.

As alegrias

Aprendi a jogar um jogo africano chamdo “Awalé”; participei das primeiras reuniões do grupo de jovens que estava se formando na paróquia.

Quase todos os dias visitava as casas de alguns membros da comunidade. As visitas sempre eram alegres e o povo, muito acolhedor. Isso me fez ver como no Brasil, com o passar do tempo, deixamos de dar valor a esse encontro pessoal.

As surpresas

Uma das coisas que não esperava encontrar na Costa do Marfim era uma Igreja organizada. As celebrações, as pastorais, os membros da igreja bem participativos, uma juventude ativa, com muitos planos e sonhos.

Através do padre Valmir, do PIME, que é missionário e brasileiro na Costa do Marfim, pude ver o trabalho de um missionário que se dedica ao máximo a um povo de uma cultura totalmente diferente da nossa, e que do jeito como ele vive, parece que nasceu naquele país.

Algo muito particular da cultura do marfinense: quando chegamos em uma casa, os moradores pedem que nos sentemos, depois oferecem água. Em seguida, perguntam: “Qual a notícia?”. Independente do que fazemos, deve-se responder: viemos desejar bom dia. Aí as pessoas da casa nos cumprimentam e perguntam a segunda notícia. E então respondemos o que realmente viemos fazer lá.

Publicado no Jornal Missão Jovem de Setembro de 2017

Adicionar Comentário

Seu endereço de e-mail está seguro conosco. Campos obrigatórios são marcados com *

Telefone: (11) 5549-7295
Fax: (11) 5549-7257
Rua Joaquim Távora, 686
04015-011 Vila Mariana, São Paulo - SP