Padre Flavio Piccolin: “Belém também é uma das cidades da região amazônica mais afetadas pelo coronavírus”

Padre Flavio Piccolin, missionário italiano do PIME que faz tempo mora e trabalha na capital do Estado do Pará, contou nos últimos dias numa entrevista à imprensa italiana as dificuldades do dia a dia estão crescendo e tornando maiores.


Não apenas Manaus. Belém também é uma das cidades da região amazônica mais afetadas pelo coronavírus no Brasil

“O setor da cidade onde fica a minha paróquia, Santa Luzia, no bairro de Jurunas, perto do porto, é uma das áreas mais populosas e pobres. Aqui a situação é crítica e os mortos pelo vírus são muitos”, disse padre Flavio. Que adicionou: “Nós sabemos que os dados oficiais não são exatamente verdadeiros, não todos os casos são declarados, até por falta dos testes. O Governo do Estado do Pará disse que em Belém foi alcançado o pico. Mas nos interiores a situação é bem diferente”.

Os contágios agora estão continuando nas aldeias e nas vilas que se escondem dentro a grande Floresta Amazônica

“A Universidade federal de Belém confirmou que não podemos ainda dizer que o ponto máximo da epidemia foi alcançado e a reabertura parece prematura. Mas o Governo do Estado recebe forte pressão para retomar as atividades econômicas”. No início da pandemia, muitos habitantes de Belém, desempregados, foram para as ilhas e para o interior para escapar do vírus. Continua padre Piccolin: “Isso ajudou a diminuir a população e o número de habitantes por metro quadrado. O problema é que o vírus agora está concentrado nos municípios do interior, onde os serviços de saúde são precários e despreparados para enfrentar a pandemia. Faltam unidades de terapia intensiva, respiradores, mas até as coisas mais básicas, como máscaras. Os profissionais de saúde geralmente não têm proteção e muitos foram contaminados pelo vírus. O Governo do Estado havia encomendado 300 máquinas respiratórias na China que chegaram 15 dias atrás, mas infelizmente elas estão com defeito e não estão funcionando. Então, em muitos lugares, as pessoas morrem porque não há respiradores”.

foto arquivo: Os missionários do PIME na região Belém, Pará (de esquerda à direita) pe. Flavio Piccolin (Itália), pe. Manuel Giddhi (Índia), pe. Romeo Catan (Filipinas) e pe. Vitório Chandar (Índia)

A crise sanitária é forte, mas também a econômica

“Quase todo mundo ficou sem emprego devido ao bloqueio das atividades. Por exemplo, em minha paróquia, a maioria dos pobres trabalhava no porto descarregando mercadorias e transportando-as com carroças para seu destino na cidade. Esses trabalhadores informais perderam seus salários. O subsídio do Governo é importante, mas insuficiente para as necessidades das famílias. Espera-se que o desemprego e consequentemente a pobreza aumentem significativamente. Os ricos continuarão ricos e os pobres aumentarão. Esta situação é perigosa se nada for feito para reduzir a pobreza. Esperamos que dessa pandemia nasça uma sociedade mais solidária, atenta aos menos e aos pobres. Nas últimas semanas, vimos gestos de solidariedade dos ‘grandes’ e também dos ‘pequenos’, esses são sinais que dão esperança”.

As igrejas de Belém podem retomar as missas, com limites de distanciamento social

“Estamos nos preparando para a abertura, não na igreja, mas em um salão paroquial maior e mais arejado. No entanto, acho que essa reabertura é prematura. A saúde das pessoas vem em primeiro lugar”, concluiu o missionário do PIME. Contando como as paróquias estão também passando por dificuldades por causa do fechamento, sem dizimo ou renda ordinária. “Todos têm dificuldade em pagar aqueles que são empregados por eles. Apesar disso, eles não desistiram da solidariedade. Quase todas as paróquias estão ajudando famílias pobres, especialmente com a ajuda da cesta básica. Na nossa paróquia de Santa Luzia foi fundamental a ajuda do PIME para pagar os funcionários. Também as ações de caridades aos pobres são possíveis com a ajuda de alguns benfeitores, tanto locais quanto italianos”.

fonte: SIR Agenzia di informazione


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