Padre Vecchiato, 50 anos de missão no PIME: “Deus me quis e me amou muito”

Padre Giancarlo Vecchiato celebra 50 anos da sua ordenação sacerdotal. “No Brasil aprendi a unir a fé com a caridade. O outro é a única maneira para encontrar Deus, o outro é o grande sacramento de Deus”

por André Guerra


Também depois de 50 anos de sacerdócio é possível “recomeçar”: recomeçar uma nova aventura, uma nova missão. “Mas sempre com a mesma confiança em Deus, que sempre me amou muito”. Padre Giancarlo Vecchiato, missionário italiano do PIME que celebra meio século de ordenação sacerdotal, é o novo reitor da casa de Ibiporã. E nessa entrevista, lembrando várias etapas da sua missão no Brasil, que começou no 1974, conta quais desafios o esperam hoje.

Vamos começar do fim: Ibiporã, uma nova missão, um novo chamado

A comunidade PIME de Ibiporã é muito significativa pelo instituto, é o coração da nossa história no Brasil, memória viva do que muitos missionários fizeram nessa terra maravilhosa. Eu sou chamado a viver com os meus coirmãos: somos 10 padres acima de 70 anos e ficamos felizes, querendo ser ainda hoje expressão do Evangelho.

Como começou tudo isso?

A história da minha vocação é bem original. Eu sempre digo que eu sou padre só porque Deus quis. Quando era uma criança de 11 anos, morando numa pequena cidade perto de Veneza, senti dentro a vocação missionária. Um dia disse a minha mãe: quero ser sacerdote missionário. Ela me disse: você nem sabe o que é um missionário e o que faz. Me responderam a mesma coisa o meu pai e o meu pároco. Mas, como já disse, Deus me quis. E a sua graça foi um grande dom para a minha vida. Se voltasse, faria tudo de novo.

Por que o PIME?

Na minha Diocese tinham vários padres missionários do PIME. Eu ainda hoje eu sinto que o PIME é a minha família, é o lugar certo para mim.

E quando você deixou a Itália para o Brasil?

Foi ordenado em 1970. Depois eu passei 3 anos na Itália, em Treviso, fazendo animação vocacional e missionária. Em 1974 vim para o Brasil. A minha primeira missão, o meu primeiro amor, foi em Macapá. Depois o Senhor me quis em Brusque e no Mato Grosso do Sol. Aqui morei em Porto Murtinho, uma cidade muito pequena na divisa com o Paraguai. Foi uma experiência maravilhosa porque foi variegada: de bicicleta eu andava visitando todas as famílias e todas as casas. Naquele território tinha grandes fazendas, aldeias indígenas, comunidades: diferentes realidades, diferentes dimensões sociais. Sempre me senti muito amado, por Deus e pelo povo.

E São Paulo?

A grande metrópole foi um grande desafio para a minha vocação. Fiquei na Vila Missionária, conheci muitas pessoas, me apaixonei pela realidade da periferia. Depois voltei para Macapá, como um círculo que fecha.   

Você recomendaria a um jovem ser missionário, Por quê?

Hoje eu sempre me faço esta pergunta. Me pergunto: como é que hoje um jovem procura o caminho certo para a felicidade? Eu digo assim aos jovens: Deus é honesto, ele propõe para o nosso bem. Já disse que se voltasse, faria tudo de novo: o meu ser padre, o meu ser missionário, são motivos de felicidade profunda que ninguém pode tirar. Nem as dificuldades da vida, nem os erros que eu fiz, os pecados, as incompreensões.

O que o Brasil ensinou a sua vocação?

Aprendi a espontaneidade. O Povo me acolheu sempre com o coração na mão. O povo brasileiro se doa com sinceridade. E sobretudo eu aprendi a unir a fé com a caridade. O outro é a única maneira para encontrar Deus, o outro é o grande sacramento de Deus.

Quais desafios você tem que enfrentar agora?

O desafio maior é ser cada vez mas confiante em Deus, como criança que corre no colo da mãe e do pai. Preciso cada dia aprender a deixar espaço a Ele, diminuir para ele crescer dentro de mim.

Toda a comunidade de Ibiporã agora tem um novo, grande desafio: a nova capela, que fica dentro do jardim da casa, está aberta ao povo e tem que se tornar um lugar de espiritualidade missionária.

Isso mesmo. É uma linda igreja, construída segundo a Laudato Si’ do Papa Francisco. Será abençoada pelo bispo em outubro, no Dia das Missões. O desejo do povo é que se torne paróquia, o do PIME é que seja um lugar de presença, de animação, de formação. Vamos ver, Deus nos indicará o caminho certo para trilhar.


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