Francisco faz apelo por direitos humanos em 1ª visita à Mianmar

País asiático vive crise humanitária com perseguição de minoria muçulmana

 

A
pós mais de 10 horas de voo, Francisco chegou nesta segunda-feira (27) à Mianmar, país asiático que recebe pela primeira vez a visita de um papa. No território, só cerca de 700 mil dos 51 milhões de habitantes são católicos. E a visita ocorre justamente no período em que uma minoria muçulmana enfrenta um dos momentos mais delicados de uma longa trajetória de perseguição: estima-se que, desde agosto, mais de 620 mil rohinygas se deslocaram de maneira forçada para Bangladesh, fugindo da repressão do exército birmanês.

Papa Francisco ao lado de Aung San Suu Kyi, líder de Mianmar | (Foto: Soe Zeya Tun/Reuters)

Nesta terça (28), em discurso após encontro com a líder de Mianmar, Aung San Suu Kyi, o papa Francisco fez um apelo para que a reconciliação do país inclua “um forte compromisso com a justiça e respeito pelos direitos humanos”, em referência à crise humanitária dos rohingyas.

Na tentativa de chamar a atenção para a grave situação do grupo étnico que pratica o islamismo e vive sob tensão em um país predominantemente budista, Francisco ressaltou que as comunidades religiosas devem desempenhar um imenso trabalho de reconciliação nacional por conta dos conflitos civis e hostilidades que criaram profundas divisões entre a população.

“As diferenças religiosas não devem ser fonte de divisão e desconfiança, mas sim uma força em prol da unidade, do perdão, da tolerância e da sábia construção da nação. As religiões podem desempenhar um papel significativo na cura das feridas emocionais, espirituais e psicológicas daqueles que sofreram nos anos de conflito. Impregnando-se de tais valores profundamente enraizados, elas podem ajudar a extirpar as causas do conflito, construir pontes de diálogo, procurar a justiça e ser uma voz profética para as pessoas que sofrem”, enfatizou o pontífice. Ainda de acordo com o papa, o “árduo processo de construção da paz” só pode avançar se houver diálogo:

“O futuro de Mianmar deve ser a paz, uma paz fundada no respeito pela dignidade e os direitos de cada membro da sociedade, no respeito por cada grupo étnico e sua identidade, no respeito pelo Estado de Direito e uma ordem democrática que permita a cada um dos indivíduos e a todos os grupos – sem excluir nenhum – oferecer a sua legítima contribuição para o bem comum”, declarou o papa.

Já no fim do discurso, Francisco fez um encorajamento à pequena comunidade católica evocando um papel importante também para ela nesta nova fase histórica do país do sudeste asiático. “Nestes dias, quero encorajar os meus irmãos e irmãs católicos a perseverar na sua fé e a continuar a expressar a sua mensagem de reconciliação e fraternidade através de obras de humanitárias e de caridade. Espero que, na respeitosa cooperação com os seguidores de outras religiões e com todos os homens e mulheres de boa vontade, contribuam para abrir uma nova era de concórdia e progresso para os povos desta amada nação”, concluiu o papa.

Confira abaixo um vídeo com um trecho do discurso:

Veja também:

Rohingyas

 

Rohingyas,

grupo étnico marginalizado
em vários países, teve origem na antiga Birmânia (hoje Mianmar)
ou no Bengala (atual Bangladesh).

 

 

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