Papa ressalta o poder da esperança na abertura do Sínodo dos jovens

papa francisco

“Que o Espírito do Senhor nos dê a graça de sermos padres sinodais ungidos com o dom dos ‘sonhos e da esperança’ para podermos ungir os jovens com o dom da profecia e da visão”, foi o pedido do papa Francisco nesta manhã, ao presidir na Praça S. Pedro a missa de abertura do Sínodo dos Bispos, que dessa vez tem como foco justamente a juventude.

A homilia de Francisco foi iniciada com o trecho do Evangelho de São João, que diz: “O Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, lhes ensinará tudo e recordará tudo o que Eu lhes disse”. Desta maneira tão simples, – disse o Papa – Jesus oferece aos seus discípulos a garantia de que o Espírito Santo os acompanhará em toda a sua obra missionária. O Espírito do Senhor é o primeiro a guardar e manter sempre viva e atual a memória do Mestre no coração dos discípulos e faz com que a riqueza e beleza do Evangelho sejam fonte de constante alegria e novidade.

“No início deste momento de graça para toda a Igreja, em sintonia com a Palavra de Deus, peçamos insistentemente ao Paráclito que nos ajude a trazer à memória e reavivar as palavras do Senhor, que faziam arder o nosso coração. Memória para que possa despertar e renovar em nós a capacidade de sonhar e esperar. Os jovens serão capazes de profecia e visão, na medida em que nós, adultos ou idosos, formos capazes de sonhar, contagiar e partilhar os nossos sonhos e esperanças”.

Uma Igreja renovada

A palavra esperança foi repetida por Francisco durante todo o discurso. Isso porque, segundo ele, é somente por meio da esperança que somos capazes de ampliar os horizontes, dilatar os corações e transformar a realidade. O pontífice apontou ainda que, infelizmente, até mesmo na Igreja há estruturas que paralisam, dividem e afastam os jovens, deixando-os expostos às intempéries e órfãos de uma comunidade de fé que os apoie, de um horizonte de sentido e de vida. Por isso, Francisco enfatizou o poder da esperança, que nos interpela, destronca o conformismo e nos convida a trabalhar contra a precariedade, a exclusão e a violência.

“Os jovens, fruto de muitas das decisões tomadas no passado, exortam-nos a cuidar do presente, com maior esforço e com eles, a lutar contra tudo aquilo que impede a sua vida de crescer com dignidade. Pedem-nos e exigem-nos uma dedicação criativa, uma dinâmica inteligente, entusiasta e cheia de esperança, e que não os deixemos sozinhos nas mãos de tantos traficantes de morte que oprimem a sua vida e obscurecem a sua visão”, enfatizou o papa.

Já no fim da homilia, Francisco recordou que, ao término do Concílio Vaticano II, no ano de 1965, os padres conciliares dedicaram a sua última mensagem aos jovens: “A Igreja, durante quatro anos, trabalhou para um rejuvenescimento do seu rosto, para melhor responder à intenção do seu fundador, Cristo, o eterno jovem… É especialmente para os jovens, portanto, que a Igreja acende, neste Concílio Ecumênico, uma luz, que iluminará o futuro da juventude. A Igreja espera que a sociedade respeite a dignidade, a liberdade, e sobretudo o direito dos jovens”, relembrou.

FOTOS DA MISSA DE ABERTURA DO SÍNODO DA JUVENTUDE

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Os jovens no Sínodo

A XV Assembleia geral ordinária acontece de 03 a 28 de outubro, e contará com a participação de 34 jovens auditores, entre 18 e 29 anos. Trata-se do terceiro Sínodo convocado pelo papa Francisco, e como explicou o cardeal Lorenzo Baldisseri, secretário-geral do Sínodo, “segue a linha das assembleias anteriores, percorrendo sempre o caminho para a renovação da Igreja e da sociedade a partir das próprias bases: a família e os jovens que garantem as futuras gerações”.

De acordo com Baldisseri, a Igreja está pronta para se por à escuta da voz, da sensibilidade e da fé dos jovens, mas também quer ouvir suas críticas e dúvidas. “O tema dos jovens é um desafio e a Igreja não tem medo de enfrentá-lo, mesmo que seja difícil e insidioso”, declarou.

As linhas gerais que serão discutidas neste Sínodo com a presença de bispos do mundo inteiro estão contidas no documento Instrumentum laboris, elaborado a partir de temáticas que os próprios jovens sugeriram por meio de questionários e debates. As principais sugestões e críticas foram tabuladas e agora estarão nas mãos dos bispos e do papa para uma discussão conjunta.

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