Paulo De Coppi: o jovem revolucionário

Aos 84 anos, padre Paulo De Coppi esbanja energias para despertar uma Igreja “sonolenta” e pouco missionária. Confira a seguir um breve resumo de sua história

 

padre paulo de coppi

P
aulo De Coppi nasceu em 1934 em uma família de agricultores de Santa Lucia Di Piave, na província do Vêneto, na Itália. Amadureceu sua vocação no Seminário diocesano de Vitório Vêneto. Ao visitar uma casa de animação missionária do PIME na Lombardia, deu seu “sim” à vida missionária, “sem encontrar motivações humanas e claras que justificassem o passo”, confessa. Em março de 1961 foi ordenado sacerdote em Milão ao lado de 10 coirmãos do PIME e de aproximadamente 100 jovens daquela diocese. No mesmo ano foi destinado à Macapá (AP), o “meu primeiro amor missionário”, esclarece. Lá, dedicou-se à juventude e, sobretudo, à catequese em escolas e na catedral, onde fundou o Centro Catequético Diocesano e assumiu a redação do jornal semanal da diocese: A Voz Católica. “Inesquecíveis também as ‘desobrigas’ no arquipélago de Bailique, na foz do Rio Amazonas”, relembra.

Sua primeira experiência pastoral surgiu na paróquia macapaense de São Benedito, em 1970, e se estendeu até 1979. Naquele ano, retornou à Itália como animador missionário na diocese de Belluno. De volta ao Brasil em 1986, estabeleceu-se em Florianópolis-SC para orientar seminaristas do PIME. No mesmo ano fundou o jornal Missão Jovem, “visando auxiliar os que trabalhavam na pastoral juvenil, na catequese e na pastoral missionária”, declara. Em 2007, sempre em Florianópolis, fundou o jornal O Transcendente, um subsídio pedagógico de Ensino Religioso.

Durante 15 anos (de 1990 a 2005), empreendeu centenas de viagens pelo Brasil, do Rio Grande do Sul ao Amazonas, para difundir os dois jornais e os livros que a Editora Mundo e Missão publicava. “Foi uma ótima experiência, pois conheci as dioceses, seus bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas, centros de pastoral e escolas”, repete com orgulho. Em 2000, antevendo a crise da imprensa escrita, criou a web rádio Missão Jovem com a finalidade de ampliar a Animação Missionária. A crise que varreu o país nos últimos anos tirou do ar a web rádio Missão Jovem em 2017. Padre Paulo lamenta: “Infelizmente, ainda hoje, no Brasil e no mundo, não existe uma emissora católica, uma TV, que focalize expressamente a dimensão missionária ad Gentes (além-fronteiras)”.

Padre Paulo deixou Florianópolis em 2012 para continuar trabalhando na animação missionária em São Paulo. Atualmente reside em Ibiporã-PR, onde sonha com uma frente dos Institutos missionários para uma “nova e moderna evangelização do mundo através dos atuais meios de comunicação”, insiste.

“Se não buscarmos juntos e corajosamente caminhos mais adequados aos tempos e às novas gerações, cairemos no desânimo pela sensação de levarmos uma vida sem sentido e, portanto, um tanto fracassada. Que Deus nos livre disso!”, ressalta o padre.

O missionário dá um recado aos padres: “A vocês, mais jovens, mas nem sempre com suficiente espírito revolucionário, lembro que, se não dermos urgentes e adequados passos em nossa ação missionária, seja no Brasil, como no mundo todo, rapidamente corremos o risco de nos tornar, como afirma o nosso amado e corajoso papa Francisco, ‘apóstolos desatualizados e pouco significativos numa sociedade em rápida mudança e questionadora a respeito da própria fé e na ação missionária de nossa Igreja’”.

padre paulo de coppi

Padre Paulo no estúdio da web rádio Missão Jovem. Nas mãos, um dos livros que publicou por meio da Editora Mundo e Missão

 

Texto publicado na revista Mundo e Missão de dezembro de 2018 – edição nº 228
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