Pela paz nas Coreias

Marília Formoso Camargo, 21 anos, é estudante de Direito e Administração Pública. Ela nos conta a sua experiência de peregrinação na zona desmilitarizada da Coreia do Sul, perto da fronteira com a Coreia do Norte. Vamos conferir?

Marília Camargo

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Peregrinação Mundial da Juventude pela Paz reuniu 70 jovens sul-coreanos e estrangeiros e é organizada pelo Comitê pela Reconciliação Nacional, da Arquidiocese de Seul, em parceria com o Ministério da Unificação da Coreia do Sul. Eu fui indicada pelo cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, para participar deste evento.

Havia jovens da Síria, Iraque, Palestina, Timor Leste, Mianmar, Croácia, Bósnia, Tanzânia, Ruanda, Camboja. Da Síria, por exemplo, havia dois jovens. Esses jovens, portanto, tinham a guerra muito presente em suas vidas. Lembro-me que quando passamos em um caminho onde havia avisos de minas antigas instaladas nos arredores, uma jovem recordou que seu pai havia morrido na explosão de uma mina na guerra do Camboja. Eu era a única pessoa de um país que nunca havia passado por uma guerra.

Então, eu falei sobre a situação política do Brasil, na qual vivemos uma divisão que não é territorial, mas pode ser considerada a divisão de um povo. Foi difícil para alguns dos jovens coreanos entenderem esse conceito de divisão, até por uma dificuldade de tradução do inglês para o coreano. Para eles, era algo abstrato entender a divisão ideológica que existe no Brasil.

A divisão das Coreias aconteceu em 1953, portanto, os jovens coreanos não passaram pela experiência concreta de terem suas famílias divididas. A maioria deles nunca sequer teve contato com alguém do outro lado. Existe, na região da fronteira, o Museu da Unificação do Futuro da Coreia, que permite às pessoas imaginarem como seria uma Coreia unida. Há uma espécie de simulador de um carro com o qual se cruza a península do Sul ao Norte em uma rodovia virtual. São experiências para despertar o interesse, para contribuir com o futuro da Coreia.

Embora muitos dos jovens que participaram do encontro não fossem cristãos, foi um evento organizado pela Igreja Católica, que promoveu discussões, sem falar diretamente do Evangelho, mas sendo evangelho vivo. Eu senti que realmente, quando se pensa em um Deus uno e trino, é como pensar na arma mais poderosa, que nenhuma bomba destrói. E muitos jovens foram atraídos pela proposta.

Essa experiência me abriu um leque de 360 graus. Me deu uma vontade de não parar nisso, de construir a paz aqui no Brasil. Eu não tenho capacidade de estar lá, mas posso fazer minha parte para construir a paz aqui. Me motiva as coisas que eu estudo, para que, de fato, contribuam para o mundo, nem que seja para minha cidade. Situações que não são zeradas agora, podem gerar o que aconteceu lá. Eu senti que o Brasil está na fase da raiz do problema e que ainda dá para tratar, se todos quiserem. Não podemos perder tempo. O ideal de querer o mundo unido não pode parar.

Marília Formoso Camargo

Publicado no Jornal Missão Jovem de dezembro de 2017

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