Pesquisadora alerta o perigo do Coronavírus nas aldeias indígenas

As doenças respiratórias já são a principal causa de morte entre as populações nativas brasileiras

por Redação Mundo e Missão


Comunidades indígenas podem ser dizimadas pelo coronavírus. O alarme foi lançado pela médica sanitarista Sofia Mendonça, pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Os estudos da pesquisadora mostram que as doenças respiratórias já são a principal causa de morte entre as populações nativas brasileiras: é por isso a pandemia atual se torna especialmente perigosa para esses grupos.

Comunidades em risco

“Há um risco incrível de o vírus se alastrar pelas comunidades e provocar um genocídio”, relatou a médica sanitarista da Unifesp numa entrevista à Bcc Brasil. “O novo coronavírus pode ter para povos indígenas brasileiros impacto comparável ao de grandes epidemias do passado, como as causadas pelo sarampo. Todos adoecem, e você perde todos os velhos, sua sabedoria e organização social. Fica um buraco nas aldeias”, afirmou, explicando também que a memória de epidemias passadas pode estimular comunidades que vivem em territórios extensos a se dividir em grupos menores e buscar refúgio no interior da mata. “Provavelmente alguns vão se munir de materiais que precisam para caçar e pescar e vão fazer acampamentos, esperando lá até a poeira baixar”.

Distanciamento social nas aldeias

Como relata a BBC Brasil, nas últimas semanas, vários grupos cancelaram reuniões e rituais abertos a turistas. “Mesmo assim, há chances consideráveis de que o vírus chegue às aldeias. Será preciso isolar os doentes antes que eles infectem os parentes”, adicionou a Mendonça. Que tem orientado as comunidades a adotar práticas de reclusão (normalmente usadas em ritos de passagem) para isolar as pessoas com sintomas da doença.

Doenças respiratórias

Em 2018, segundo o Ministério da Saúde, doenças infecciosas e parasitárias – tipos de enfermidades considerados evitáveis – foram responsáveis por 7,2% das mortes ocorridas entre indígenas, ante uma média nacional de 4,5%. Entre crianças indígenas com menos de um ano, doenças respiratórias foram responsáveis por 22,6% das mortes registradas em 2019, índice só inferior ao de mortes causadas por problemas no período perinatal (24,5%).

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