Phyllis Omido, a guerreira da África Oriental

Phyllis Omido

De punho erguido, Phyllis Omido não baixa a cabeça aos poderosos

Conhecida por organizar protestos contra uma fábrica de fundição de chumbo numa favela no Quênia, a ativista recebeu um dos mais reconhecidos prêmios internacionais pela dedicação ao meio ambiente

 

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hyllis Omido era uma jovem mãe queniana quando foi admitida para gerenciar as relações comunitárias de uma empresa em seu país. Uma de suas primeiras tarefas foi a de fazer um relatório sobre o impacto ambiental. Trabalhando com um grupo de peritos, descobriu que a fábrica, próxima da comunidade, deixava os residentes vulneráveis aos perigos químicos, e que a indústria estava operando ilegalmente, sem as devidas licenças. Seu relatório recomendou o fechamento do empreendimento ou sua relocação, mas o diretor rejeitou as recomendações e retirou Phyllis do projeto.

Sua batalha teve início quando seu filho ficou muito doente e foi hospitalizado. A criança passou por vários exames médicos (malária, tifo, entre outros) e todos deram negativo. Seguindo a sugestão de um dos diretores da fábrica, Phyllis solicitou que fossem feitos testes sanguíneos por envenenamento químico. Surpreendeu-se ao saber que no sangue de seu filho foram descobertos níveis elevados de chumbo, provavelmente transmitido através do leite materno. Todas as despesas médicas foram pagas pela fábrica onde trabalhava e, em troca, ela deveria permanecer em silêncio. Mas Phyllis sentiu-se responsável pela comunidade. Pediu demissão do trabalho e começou sua luta por justiça para os trabalhadores e suas famílias que sofriam com os impactos do chumbo oriundo da fábrica.

“Às vezes parece escuro; outras vezes, promissor. Não iniciamos a luta ingenuamente. Fazemos um trabalho de risco contra quem é capaz de ações drásticas para nos calar. Mas, se nos calarmos agora, o que deixaremos às futuras gerações?”, declarou Phyllis Omido.

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Incansável

Ela nasceu em 1978, nas proximidades de Vihiga, no Quênia. É uma mulher de muita fibra, dona de um olhar doce e um sorriso cativante. Formou-se em gestão ambiental pela universidade de Nairobi. Junto a alguns amigos, fundou o Centro pela Justiça, Autoridade e Ação Ambiental, em 2009. O centro situa-se em Kilifi, Quênia, e atua nas comunidades mais pobres que sofrem a ação dos extrativistas, dos mineradores e das refinarias do país. Em 2012, acusada de promover protestos, Phyllis foi temporariamente encarcerada. Na prisão, ameaçaram matar o seu filho. Mas ela continua sua luta, alertando a comunidade internacional para o que acontece no Quênia.

Em 2015, Phyllis recebeu o Prêmio Goldman Environment – um dos mais reconhecidos prêmios internacionais pela dedicação ao meio ambiente. Na ocasião, declarou: “No Quênia, e em grande parte da África, muitas empresas, principalmente estrangeiras, sabem que as autoridades não possuem mecanismos eficientes para o controle da poluição; por isso, continuam poluindo, sem gastarem um só centavo pelos danos que provocam. Cada vez que seus lucros sofrem riscos, despertam a resistência do povo que, por sua vez, alimenta a violência social. E cuja tendência é evoluir em direção a uma guerra”.

Reportagem publicada na revista Mundo e Missão de junho/julho de 2018 – edição nº 223
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